Assembleia define estado de greve da enfermagem

Divinópolis tem 1.500 profissionais da área; eles cobram pagamento do piso salarial

 

Bruno Bueno

O Sindicato Profissional dos Enfermeiros e Empregados em Hospitais (Sindeess) anunciou que a categoria definiu estado de greve em Divinópolis. A decisão foi confirmada em assembleia realizada na manhã de ontem. Os mais de 1.500 profissionais que atuam no município cobram o cumprimento do piso salarial da enfermagem. 

A lei foi aprovada e sancionada, mas acabou sendo suspensa no início do mês pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. 

Greve

A possibilidade de paralisação já havia sido confirmada pelo sindicato ao Agora na última semana. O estado de greve significa que os profissionais podem paralisar a qualquer momento. De acordo com a presidente do sindicato, Denísia Aparecida Silva, a greve só acontecerá em caso de um novo parecer desfavorável do STF.

— Há essa possibilidade se a situação não for resolvida. Existe a expectativa de uma nova análise ser feita pelo STF entre os dias 9 e 19. Em caso de um parecer desfavorável, iremos votar sobre uma possível greve — explicou.

A presidente afirma que não crê em uma votação favorável.

— Se isso acontecer, faremos manifestações, assembleias, protestos e outros eventos — acrescenta.

Assembleia

Denísia comemorou o resultado da assembleia e deu detalhes sobre a votação unânime dos profissionais de enfermagem.

— Hoje foi a primeira vez que o sindicato se posicionou. A maioria já quer entrar em greve, mas a gente explicou que tem alguns trâmites que devemos aguardar. O estado de greve já foi aprovado e nós podemos entrar a qualquer momento — afirmou.

A presidente relatou que cerca de 100 profissionais, incluindo membros do sindicato estadual, participaram do evento.

— Eles estão confiantes. Nosso papel foi detalhar e explicar. São muitas informações. Agora que explicamos, eles acalmaram os ânimos. Também contamos com a presença do Sindeess de BH. Eles falaram a mesma língua — relatou.

Enfermagem

Letícia Souza é enfermeira e relata as dificuldades que viveu durante a pandemia na cidade.

— Já teve dia que chorei escondido no trabalho com a dor e a exaustão. Além disso, tem a questão emocional. Era muito difícil. Muita gente com sonhos perdeu a vida repentinamente por essa doença horrível — relata.

A profissional se indigna ao lembrar da valorização do profissional durante o período pandêmico. 

—  Todo mundo estava em casa e a gente lá, trabalhando e salvando vidas. A dor, o medo e a incerteza eram muito grandes. Na época, todo mundo estava com a gente, nos desejando força, mas agora não estão nem aí. É um absurdo — relembra.

Números

O piso salarial para a enfermagem concede salários maiores aos profissionais. Denísia considera o valor pago atualmente fora dos padrões da realidade.

— Os enfermeiros que concluem a graduação devem receber o valor de R$ 4.750. O salário dos técnicos de enfermagem tem que ser de R$ 3.325 e dos auxiliares e parteiros, R$ 2.375. Atualmente, o profissional que ganha mais recebe cerca de R$ 2.300. O restante, apenas R$ 1.500 — aponta.

Denísia também explica que os hospitais da cidade não serão prejudicados em caso de greve.

— Não tem como fazer greve geral onde se encontram pacientes doentes. Então iremos fazer uma escala de revezamento para todos participarem. Isso, claro, se a situação não for resolvida — enfatiza.

Manifestação

Essa não é a primeira ação realizada pela categoria na cidade. Diversos enfermeiros se reuniram na Praça do Santuário no feriado de 7 de setembro. A classe percorreu as ruas da cidade com faixas e gritos contra o ministro do STF.

A luta da categoria também foi assunto na Câmara. Os vereadores demonstraram seu apoio e cobraram soluções do Supremo.

Brasil

Os profissionais de enfermagem do Rio de Janeiro já começaram a greve. Apenas 30% está trabalhando, enquanto outros 70% realizam atos em hospitais da cidade, como o Quinta D’Or, Hospital do Fundão, Campo Grande e Salgado Filho. 

Uma manifestação nacional também está marcada para esta semana. Quem comanda é o Fórum Nacional da Enfermagem, que agrega entidades da categoria como a Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE).

 

Decisão

 

A decisão de Barroso é válida por 60 dias. Neste período, serão analisados os números dos municípios, estados, órgãos, conselhos e entidades da área da saúde sobre o impacto financeiro. Além disso, o ministro argumenta que há risco de demissões.

 

— É necessário atentar aos eventuais impactos negativos da adoção dos pisos salariais impugnados — justificou.

 

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