Aneel autoriza Cemig a reajustar tarifas

Órgão regulador do setor elétrico definiu um aumento de 5,22% para residências; pai de família revela dificuldades

 

Da Redação

Não deu nem para comemorar a futura queda no valor das contas de luz. A redução do Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS) sobre a energia, de 30% para 17%, foi aprovada pelo Congresso Nacional. Mas, antes de esse corte entrar em vigor, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), informou nesta terça-feira, 21, as novas tarifas da Cemig. O órgão regulador do setor elétrico definiu um aumento de 5,22% para os clientes residenciais de 774 municípios da área de concessão da companhia. Importante destacar que, em 2020 e 2021, não houve reajuste tarifário para os clientes residenciais da companhia. A nova tarifa passa a valer a partir desta quarta - feira, dia 22.  Os aumentos irão de 3,2% a 63,7%, dependendo do tipo da bandeira.

Desde 16 de abril, vigora no Brasil a bandeira verde, quando foi antecipado o fim da bandeira de escassez hídrica. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a bandeira verde será mantida até dezembro, por causa da recuperação dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas no início do ano.

 

Opção

Os contínuos aumentos afetam diretamente inúmeras famílias, que acabam se tornando inadimplentes. Isso, alinhado ao desemprego elevado e inflação em alta, levam às mesmas a direcionar seus ganhos para a alimentação básica e deixam de pagar contas de água e luz. 

— Sou casado, pai de quatro filhos, pago aluguel de R$ 700 pela estrutura que minha família necessita para sobreviver. Assim, com muita dificuldade, tenho me esforçado muito, trabalhando em um centro de recuperação, acolhendo vidas para se libertarem dos vícios e possam se reabilitar novamente. Mas nada disto impede que a inflação altíssima e de custo desordenado, dificultem a minha ação para manter uma família completa. E minha grande dificuldade é pagar a conta de energia, que não para de ter reajuste. Por este motivo, ela fica sendo nosso maior vilão no orçamento familiar, atrapalhando nossa maior necessidade de ter uma despensa farta de alimentos, que nos traga fisicamente um sustento saudável. A energia elétrica come mais do que minha família junto no prato — diz o encarregado Luciano Henrique Muniz.

Para o economista Leandro Maia, a alternativa mais viável é buscar formas de reduzir o consumo. 

— Quem precisa fechar o orçamento doméstico sabe como a conta de energia pode pesar, ainda mais se a família for numerosa. As altas seguidas das bandeiras tarifárias pesam no bolso de toda a população e tem um impacto ainda maior nas famílias de baixa renda. Por isso, o esforço para economizar tem que ser grande, ainda mais que entramos no inverno e todo o cuidado com os banhos demorados é pouco, pois podem acarretar uma alta nada agradável na próxima conta — completa.

 

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