Alívio em meio ao pior momento da história

Como Divinópolis venceu a pandemia e outras doenças por meio de suas instituições de saúde e sanitárias em 50 anos

Bruno Bueno

Divinópolis, em seus 109 anos de história, é reconhecida em âmbito estadual e nacional por diversos aspectos. A saúde, com certeza, é um deles. Com hospitais e instituições referência em Minas Gerais, o município sempre contou com armas poderosas para conter as principais doenças que afetaram a cidade. E não foram poucas.

O Agora também acompanha essa realidade. Em 50 anos de história, as páginas do único jornal impresso de Divinópolis contaram diversos acontecimentos na área da saúde. Da criação do 4º maior hospital de Minas Gerais até a chegada da maior pandemia do século, os divinopolitanos vivenciaram muitos momentos adversos. 

 

São João de Deus

É impossível falar da história da saúde em Divinópolis sem citar o São João de Deus. O hospital, referência nacional em atendimento, leva o nome da cidade para os quatro cantos do país. Pouco antes de o Agora iniciar sua trajetória em 1971, em 1968, a instituição era inaugurada.

A unidade de saúde realizou feitos históricos na região. Em 1972, o primeiro marca-passo da região Centro-Oeste foi instalado. O banco de sangue do hospital foi aberto em 1981. A primeira cirurgia de catarata ocorreu em 1987. Quatro anos depois, um paciente do hospital recebeu o primeiro transplante de rim da história de Divinópolis. A UTI adulto chegou à cidade em 1992. Três anos depois, era a vez da Associação de Combate ao Câncer do Oeste de Minas (Acccom). No mesmo período, foi realizado o primeiro procedimento de cateterismo cardíaco.

Após diversas obras e melhorias, o hospital entrou em grave crise financeira. O Ministério Público (MP) realizou, em 2013, uma intervenção administrativa, que se manteve até o fim de 2016. Com empenho da  nova gestão, tendo à frente Elis Regina Guimarães, a instituição se livrou da falência e inaugurou, em 2017, a Sala Vermelha de atendimento. Um ano depois, no cinquentenário do hospital, o centro passa a se chamar Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD). Atualmente, o hospital ‒ o único da cidade que atende pelo SUS ‒ é administrado pela Fundação Geraldo Corrêa.

 

Outros hospitais

O São João de Deus é um ótimo exemplo da eficiência da saúde em Divinópolis, no entanto, não é o único. Outros hospitais realizam atendimento no município e comportam a demanda do sistema na cidade. O Hospital São Judas Tadeu é um deles. Fundado em 1965 por Dr. Hélio Coelho de Sousa ‒ único proprietário até 1996, a unidade, que atende na rede particular, localizada no Centro, faz parte da saúde do município há mais de 50 anos.

O Hospital Santa Mônica chegou à cidade em 1993 com o aporte financeiro de um grupo de médicos. Atualmente, a instituição conta com nove salas cirúrgicas, somando dez leitos. Além disso, são empregados 150 cirurgiões e 35 enfermeiros. O Pronto Atendimento dispõe de consultórios, leitos de observação e sala de emergência. 

O posto de hospital mais antigo que ainda recebe pacientes em Divinópolis fica com o Santa Lúcia. Fundado em 1959, o centro de saúde conta, conforme a instituição, com 20 leitos de UTI, 120 leitos operacionais, 116 médicos e 313 funcionários. O hospital realiza, em média, 6 mil internações, 4 mil cirurgias, 335 partos e 56 mil consultas por ano.

 

UPA e postos de saúde

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, localizada no bairro Ponte Funda, também é parte importante do sistema de saúde divinopolitano. Antes, o atendimento era feito no Pronto-Socorro Regional. Construída em março de 2014, a UPA passou a ser responsável pelo atendimento de urgência e emergência de Divinópolis, principal porta de entrada. A estrutura foi planejada para atender mais de 300 mil pessoas, incluindo pacientes das cidades vizinhas. 

— Passamos agora a ter essa importante construção de forma coletiva e articulada com todos os parceiros e instituições, e chamamos todos para somar conosco e fazer cada vez mais uma cidade melhor para todos — disse o prefeito da época, Vladimir Azevedo (PSDB), na cerimônia de abertura da unidade, no dia 28 de março de 2014.

Administrada atualmente pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), a UPA tem cerca de 1.800 metros quadrados e capacidade para atender 450 pessoas por dia. São vários leitos de observação para receber pacientes com as mais diversas doenças. Em conjunto com o São João de Deus, as instituições são as únicas que atendem o SUS na cidade.

Diversos postos de saúde também foram inaugurados nos últimos anos. Em contato com o Agora, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) informou que não havia os números das instituições abertas neste cinquentenário. O último posto inaugurado na cidade foi a Unidade de Saúde da Família (USF) no bairro Sagrada Família. O posto de saúde Central recebeu, neste ano, diversas melhorias.

 

Hospital Regional e Samu

O Hospital Público Regional também já está inserido na história da saúde de Divinópolis, principalmente nesta década. Sonho de vários moradores da cidade e de outras na região, além de prefeitos,  começou a ser construído em 2010 e já recebeu mais de R$ 60 milhões em investimento. 

Atualmente, o local tem diversos pavimentos construídos, mas ainda não pode receber pacientes. Conforme levantamento da Prefeitura, são necessários R$ 100 milhões para a conclusão do serviço, que também atenderá pacientes pelo SUS. Representantes políticos de Divinópolis se reuniram com o governador Romeu Zema (Novo), no último dia 28, para cobrar a abertura da unidade. A previsão é de que a licitação seja finalizada até o fim deste ano.

Outro marco importante para a história da saúde em Divinópolis foi a inauguração da Central de Regulação das Urgências do Samu (CIS-URG Oeste) que atende cerca de 1,2 milhão de pessoas, distribuídas por 54 municípios. São mais de 350 profissionais que realizam atendimento 24 horas na região Centro-Oeste.

 

Febre amarela e carrapato-estrela

Referência na saúde no Oeste de Minas, Divinópolis necessitou de seus pilares para enfrentar grandes doenças que prejudicaram a cidade. Em 2001, uma grande epidemia de febre amarela assustou os moradores e gerou grande pânico na região. À época,  32 casos e 16 mortes foram registradas. Em 2017, novos casos preocuparam as autoridades da cidade. No entanto, a doença logo foi combatida naquele ano.

Nos últimos anos ‒ excluindo, obviamente, a pandemia ‒ nada preocupou mais as autoridades sanitárias de Divinópolis do que a epidemia do carrapato-estrela, conhecida como febre maculosa. Em agosto de 2018, três mortes e cinco casos suspeitos pela doença foram registrados.  

— Entre as ações da época, houve a interdição de locais com infestação ou risco de infestação de carrapatos, como os campos de futebol e escolas. Quatro campos de futebol, o centro de treinamento dos Bombeiros e o Parque da Ilha também fecharam — explicou a Semusa.

Para conter o avanço da contaminação entre crianças, escolas fecharam. Instituições municipais, estaduais e particulares registraram casos entre alunos e obrigaram o Executivo a interditar escolas por várias semanas. Mesmo, entre parênteses, erradicada, autoridades sanitárias trabalham para impedir um novo avanço da febre maculosa.

 

Pandemia

As páginas do Agora noticiaram diversos acontecimentos na área da saúde. No entanto, nenhum deles foi mais impactante do que a pandemia de covid-19. A cidade, infelizmente, foi pioneira da doença em Minas Gerais, tendo o primeiro caso confirmado em todo o estado, no dia 8 de março de 2020. Um mês depois ‒ 9 de abril ‒ a primeira morte foi registrada. Uma oftalmologista de 47 anos. 

A iminência de casos obrigou a Prefeitura ‒ administrada, na época, por Galileu Machado (MDB) ‒ a abrir um hospital de campanha no estacionamento da UPA Divinópolis. Um ano depois do primeiro caso confirmado, Divinópolis viveu, provavelmente, o capítulo mais triste de sua história. Três, cinco, sete, dez e 12 mortes por dia. Estrangulados, os hospitais da cidade acolheram pacientes em seus corredores. Em certo momento, Divinópolis não tinha condições de atender qualquer pessoa com covid-19, visto que todos os hospitais do município estavam cheios.

Com o andamento da vacinação ‒ que hoje já atinge cerca de 90% da população adulta ‒, os indicadores melhoraram e o município conseguiu respirar. Mesmo com mais de 630 mortes e 21 mil casos confirmados, a cidade tem baixa ocupação de leitos. Comprovando essa situação, a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) confirmou, na semana passada, o fechamento do Hospital de Campanha.

A chegada da vacina contra a covid-19 em Divinópolis se tornou sinônimo de esperança e dias melhores para uma cidade que sofreu muito com a chegada da pandemia. Além disso, com uma fase mais branda do vírus se evidencia a importância das instituições sanitárias do Município para combater epidemias, pandemias e outras doenças. Um verdadeiro alívio em meio ao pior momento da história de uma cidade centenária.

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