Alimentação está intimamente ligada à depressão, alerta nutricionista

Diogo Círico explica como os alimentos contribuem para aliviar ou intensificar os efeitos do estresse no organismo

 

Da Redação

Um artigo publicado no jornal científico da Academia Americana de Neurologia colocou a alimentação saudável e a prática de atividades físicas como dois dos pilares essenciais para a saúde do cérebro. A conexão entre o que o indivíduo come e a saúde mental vem sendo estudada por cientistas de todo o mundo. Pesquisas científicas recentes revelaram que as bactérias do intestino podem influenciar no bem-estar de uma pessoa.

Estudos feitos por universidades e centros de pesquisa internacionais revelaram um aumento da incidência de obesidade em pessoas com estresse crônico e mostraram que indivíduos que se tornaram obesos têm mais propensão a desenvolver quadros depressivos. 

A ciência comprova que o que colocamos no prato pode contribuir não só para a saúde física, mas também para a saúde mental. A alimentação pode atenuar ou aumentar os efeitos do estresse, ansiedade e até depressão.

O nutricionista funcional Diogo Círico afirma que uma dieta equilibrada, bons hábitos e a prática de atividades físicas auxiliam a microbiota intestinal a produzir substâncias que fortalecem o sistema imunológico. 

Os micro-organismos que vivem no nosso intestino ajudam na produção hormonal. 

— Nosso intestino se comunica com o cérebro através dos hormônios, das células do sistema imunológico e das moléculas produzidas a partir do metabolismo, que se transformam numa espécie de combustível para os neurotransmissores da região responsável por regular nosso estresse emocional — explica. 

Mais cor no prato

O nutricionista ensina quais nutrientes devemos colocar na dieta não só para cuidar do corpo, mas principalmente para reduzir o impacto da vida estressante na nossa saúde mental. 

— O primeiro passo é aumentar o consumo de vegetais e reduzir o de alimentos ultraprocessados, como embutidos, salgadinhos e temperos prontos, porque eles são nocivos para os micro-organismos aliados do nosso trato intestinal — pontuou.

Os alimentos não processados são fonte de vitaminas do complexo B, que auxiliam no metabolismo de energia e na síntese de neurotransmissores. 

Triptofanos e Aminoácidos

Segundo o especialista em nutrição funcional, a gordura também amplifica o estresse. 

— Uma dieta cheia de gorduras saturadas (carnes, leites e derivados gordos) pode agravar o quadro de estresse, enquanto uma dieta rica em proteínas (carnes magras, frango, peixe, ovos, leite e derivados magros) fornece aminoácidos essenciais e triptofano, que pode auxiliar na produção de neurotransmissores como a serotonina, e isso melhora quadro de estresse — explica. 

Essas substâncias estão presentes em alimentos como bananas, semente de abóbora, soja, grão-de-bico, tâmaras secas, amendoins, leite, carne, peixe e peru.

Ômega-3

Os ácidos graxos poli-insaturados essenciais e ômega-3 também fornecem nutrientes que combatem o estresse físico e mental. 

— As melhores fontes são o salmão, a sardinha e o arenque. Mas, quando não for possível, é recomendável fazer a suplementação — diz o especialista.

O nutricionista explica, por fim, que, em alguns casos, a mudança dos hábitos alimentares pode receber a ajuda de suplementos probióticos. Eles contêm cepas que ajudam a recolonizar o intestino com os micro-organismos benéficos à nossa saúde.

Um estudo do gastroenterologista Emeran A. Mayer publicado na Nature revelou que a conexão entre intestino e cérebro viabiliza não só a regulação das funções gastrointestinais, mas também no humor e na tomada de decisões intuitivas.

Além disso, pesquisas demonstraram que os pacientes com dieta semelhante à “mediterrânea”, à base de peixes, azeite, grãos, frutas e legumes, tinham menos risco de desenvolver depressão, estresse e ansiedade. 

— É claro que esta não é a chave para curar, nem é uma armadura para evitar o estresse. O mundo já anda desgastante demais e precisamos estar preparados. É necessário entender que nossa dieta afeta o corpo como um todo, inclusive nossa saúde mental. A boa alimentação é o caminho mais curto para responder ao estresse mental e suas implicações no metabolismo físico — finalizou Diogo.

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