Agroviolação de direitos humanos

CREPÚSCULO DA LEI – ANO III – CLV

 

AGROVIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS

Na filosofia aristotélica, “falácia” serve para designar um enunciado falso que se apresenta como verdadeiro por ocultação dos pressupostos de sua própria falsidade.

A afirmação de que o “agro é pop” não passa de uma falácia.

Trata-se de um enunciado que oculta (suas) atividades características da ação do latifúndio ilegítimo, histórico violador de direitos humanos no país.

O latifúndio ilegítimo foi o responsável direto por mais de 300 anos de escravatura, muito tempo antes da própria existência do Estado brasileiro, como também foi – e ainda é – o responsável maior pela agressão grave, sistemática e irreparável ao meio ambiente e ao ecossistema.

Para que se tenha uma ideia – há que se (re) lembrar – não havia “sertão” no Brasil, senão aquele levado a cabo, em meados do século XVI, para o “desenvolvimento da criação de gado”, partindo do litoral nordestino que estava sendo “utilizado” pela monocultura do café.

Coronéis fizeram o sertão nordestino, coronéis levaram a seca ao nordeste, coronéis fizeram campos de concentração para retirantes no nordeste, coronéis fizeram a tragédia de Canudos, do Contestado. Também coronéis geraram o cangaço e coronéis lucraram com o desvio de verbas para “a seca no nordeste”.

O tal latifúndio ilegítimo ainda abriga grileiros, mantém grupos de extermínio de lideranças rurais – vide Chico Mendes – e covarde matança de indígenas, incluindo mulheres e crianças.

Sem embargo, estudos recentes estão demonstrando que o tal “agro” faz é aumentar a desigualdade e a fome, fazendo com que mais da metade da população “não tenha certeza se terá o suficiente para se alimentar no dia seguinte”.

Além da agressão ao meio ambiente, o "agro" pouco contribui com o PIB (análise da balança comercial – IBGE mostra que o agro é o que menos contribui com a riqueza nacional, comparando-se com a indústria e o comércio), “além de trazer altos custos ao Estado e gerar poucos empregos”.

Mais ainda: além de gerar poucos postos “com carteira assinada”, também é o ramo que paga o menor salário. Também o “agro” nada pop praticamente não paga impostos e por isso “todo mundo está exportando enquanto falta comida no Brasil”.

A falácia do “agro” faz do Brasil um país  atrasado, agrário e desindustrializado, avesso à tecnologia e à educação de ponta. 

Essa pesquisa foi feita pela Abra em parceria com a FES Brasil, mas outra pesquisa feita pela Rede PenSSAN também demonstrou que aproximadamente 20 milhões de pessoas – brasileiras – “estão sem ter o que comer”, ao mesmo tempo em que o “agronegócio”(?) prospera.

Lamentavelmente, de onde se esperava a produção da comida, vem a produção da fome.




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