Ação contra ato com Lula deve ser apurada

Parlamentares pedem responsabilização civil e criminal contra homens que jogaram líquidos em ato político em Uberlândia

 

Da Redação 

Cerceamento da livre expressão, da livre associação e da livre organização política: foi assim que os presentes em reunião ontem se referiram à ação que, por meio de drone, jogou um líquido mal cheiroso em pessoas reunidas para receber o ex-presidente Lula.

O ocorrido foi registrado em Uberlândia (Triângulo) no último dia 15 de junho, e foi discutido em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Na ocasião, pessoas que estavam presentes seguiram o drone e chegaram ao local onde estavam os três homens que o controlavam, como contou a vereadora de Uberlândia Dandara (PT).

 

Segundo ela, foram essas pessoas que pressionaram para que policiais conduzissem os responsáveis para uma oitiva e apreendessem o drone para periciar o objeto e descobrir o que era o líquido. Ela lembrou, ainda, que os responsáveis chegaram a postar vídeos da ação nas redes sociais, quando se referiram ao líquido como “veneno”.

— Nas imagens que eles mesmo postaram, é possível ver crianças e idosos sendo atingidos e correndo na tentativa de se proteger — disse. 

A vereadora se referiu ao grupo responsável como “organização criminosa”.

Em coro com ela, o ex-prefeito de Uberlândia, Gilmar Machado (PT), destacou que a ação foi planejada. Os convidados apontaram que dois dos três homens encontrados foram contratados para a operação e que eles já contavam com advogados à disposição quando foram levados pela polícia, indicando preparação.

 

Apuração 

Esteve presente no encontro uma das vítimas da ação, Conceição Leal. Ela destacou que, aos 72 anos de idade, teve medo das reações que poderiam ser causadas pelo líquido desconhecido.

Ela apontou ainda que, como não havia água corrente no local, água gelada potável foi jogada em sua cabeça, junto com o álcool gel disponível, para que ela se limpasse. Como consequência, ela teve uma forte gripe, que quase se tornou uma pneumonia. Além disso, a pele apresentou vermelhidão como reação à substância.

Neste sentido, os presentes falaram sobre a importância de se apurar as responsabilidades civis e criminais. O deputado Cristiano Silveira (PT), um dos autores do requerimento de audiência, disse que a ação mostra a “face violenta de certos setores políticos da sociedade”.

Para ele, essas pessoas são incitadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que é “um grande incentivador da violência, que não consegue conviver em ambiente de democracia”.

 

Postura intolerante

Também a deputada Andreia de Jesus (PT) destacou a “postura intolerante” de quem promoveu o ataque. Ela lembrou que é preciso ter segurança em espaços públicos para se manifestar livremente.

Assim, a parlamentar pediu a apuração criminal e disse que “jogar veneno nas pessoas é um crime odioso”. A deputada Leninha (PT) concordou e pediu punição dos responsáveis.

(Com informações da ALMG)

 

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