A visita dos Magos

Augusto Fidelis

 

A visita dos Magos

Hoje, dia 6 de janeiro, é uma data muito importante no calendário cristão, particularmente no que tange às igrejas Católica e Ortodoxa, pois, de acordo com a narrativa do evangelista Mateus (2,1-12), magos vindos do Oriente visitaram o menino Jesus em Belém por esta ocasião, conforme foi anunciado pelo profeta Miquéias: “E tu, Belém, na terra de Judá, não és a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairás um governante que será o pastor do meu povo, Israel”.

Segundo Mateus, os magos chegaram a Jerusalém à procura de um menino que acabara de nascer e que seria o rei dos judeus. O governante daquele tempo, o rei Herodes, vendo aquilo como uma ameaça ao seu trono, ficou perturbado e com ele toda a cidade de Jerusalém. Depois de reunir os sábios, Herodes soube, então, que o menino teria nascido em Belém. Herodes instruiu os visitantes: “Quando encontrarem o menino informa-me, para que eu também possa ir adorá-lo”.

Mateus não fala quantos eram os magos e nem os seus nomes, mas pela narrativa sabe-se que era um grupo. A tradição, porém, limita-os a três: Melquior, Gaspar e Baltasar. No entanto, por se tratar de reis, deslocavam-se acompanhados de enorme comitiva. Essa tradição tem como base o Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do final do século VI.

Ao saírem de Jerusalém, os magos avistaram novamente a estrela vista no Oriente, que os conduziu até a cidade de Belém. Ao encontrarem o menino, ofereceram-lhe três presentes: ouro, que simboliza a realeza, dádiva reservada aos reis; incenso, símbolo da divindade, perfume que queima e representa a oração, dádiva reservada aos sacerdotes; e mirra, originada de uma planta medicinal e simboliza a humanidade e o futuro sofrimento de Cristo, presente destinado aos profetas. É a chamada festa da Epifania do Senhor, isto é, da manifestação, da revelação do Salvador ao mundo. Terminada a visita, os magos foram avisados em sonho que não deveriam retornar à presença de Herodes, porque ele desejava, na verdade, matar a criança.

Com o passar dos séculos, surgiram as Folias de Reis, grupo de pessoas com roupas coloridas que percorrem as casas tal qual a caravana dos magos à procura do menino Jesus. Quando encontram um presépio, o embaixador tem de cantar todos os versos que narram a história do princípio ao fim, sendo respondido pelos demais integrantes. Na cidade de Ponta Grossa, no Paraná, os palhaços que acompanham as folias não podem entrar na igreja. Segundo a tradição, os palhaços são soldados de Herodes disfarçados em meio à caravana dos magos. Em Divinópolis, eles não só entram na igreja como sapateiam no altar. Oh lá lá!

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