A virtude da fortaleza

A virtude da fortaleza

ÔMAR SOUKI

A fortaleza é a virtude que leva a pessoa a empreender e a tolerar coisas difíceis. Ela nos conduz a perseverar no caminho que leva à perfeição. O crescimento espiritual encontra vários obstáculos que devem ser combatidos com decisão, coragem, generosidade e constância. Precisamos também saber suportar as provações, sofrimentos, doenças, zombarias e calúnias que se encontram nessa caminhada. A pessoa que aguenta, em geral, é mais forte do que aquela que ataca.

A nossa luta é contra o temor do cansaço e do perigo, que tentam impedir o cumprimento do dever. A escolha deve ser sempre pelos bens celestes em relação aos bens terrenos. Portanto, o pecado deve ser evitado a todo custo, mesmo em sacrifício dos bens temporais.  A busca pela fortaleza é o esforço no sentido de agradar em primeiro lugar a Deus, sem nos importarmos sobre o que os outros pensarão. Segundo João Paulo II: “A virtude da fortaleza requer sempre certa superação da fraqueza humana, sobretudo do medo. A pessoa, por natureza, teme o perigo, as moléstias, os sofrimentos [...] Desejo render homenagem a todos que têm a coragem de dizer ‘não’ ou ‘sim’, mesmo quando isso custa”.

 

Francisco Faus, no artigo “A conquista das virtudes”, elenca uma série de fraquezas, que devem ser combatidas com a fortaleza:

  •         Fugir de ideais, tarefas ou deveres só porque são difíceis.

 

  •         Encolher-nos e parar quando surge um obstáculo que nos desafia.

 

  •         Ter medo do sacrifício.

 

  •         Ter pavor do sofrimento.

 

  •         Ser do tipo comodista, que quer ser feliz vivendo vida “normal”, “como todo o mundo”, ou seja, vida medíocre, e se apavora ao pensar em “complicar a vida”.

 

  •         Ser do tipo mole e frívolo.

 

  •         Ser dos que logo acham que fizeram muito e se cansam de fazer até o que seria o mínimo imprescindível.

 

Por outro lado, segundo esse autor, podemos cultivar a fortaleza através da força de um ideal, de uma fé inquebrantável e de uma predisposição ao sacrifício.

A vida somente tem sentido se temos uma razão para viver, um “para que”, segundo Viktor Frankl. Uma vez encontrado esse “para que”, pode-se suportar qualquer “como”. Frankl conseguiu superar os sofrimentos de um campo de concentração nazista porque tinha a esperança de se reencontrar com a esposa e porque tinha uma obra para terminar. A obra versava justamente sobre a importância do sentido para a vida.

Faus nos apresenta o apóstolo Paulo como um exemplo de fé inquebrantável: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? […] Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores pela virtude do que nos amou!” (Romanos 8, 35-37). “Alegro-me nas minhas fraquezas […], pois, quando me sinto fraco, então é que sou forte” (II Coríntios 12, 10). “Tudo posso naquele que me dá forças!” (Filipenses 4, 13). A força do cristão é Jesus, portanto, a nossa fortaleza se sustenta pela nossa entrega ao Mestre dos Mestres.

Para cultivar a fortaleza precisamos ter uma predisposição para o sacrifício, isto é, realizar ações deliberadas que exijam sacrifício, mortificação da moleza e da preguiça. É preciso que haja mortificação para que haja virtude.

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