A que custo?

Selena Sagrillo, uma menina doce, de 13 anos, saiu de casa na sexta-feira, 25 de novembro, cheia de sonhos e planos. Tinha uma vida inteira pela frente para realizá-los. Assim acreditava sua família. Era mais um dia comum. Selena tinha visto e se encantado com o gol do jogador Richarlison, na estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra a Sérvia. Esperava ver outros. Selena foi assassinada na manhã do dia 25 por um adolescente de 16 anos, que planejou durante dois anos o ataque a duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo. Além de Selena, outras três pessoas, professoras, foram mortas naquela manhã. Pessoas que tiveram seus sonhos e planos interrompidos, foram retiradas de forma brutal de suas famílias. Seus sorrisos já não ecoam mais, suas palavras foram silenciadas, seus desejos acabados, por causa do ódio que cresce a cada dia e adoece a população brasileira. O desamor vem tomando conta e vidas são levadas por causa do desprezo, que não acaba – pelo contrário, só aumenta. 

A violência, o ódio… Em nome de quê? A dificuldade de entender e aceitar opiniões contrárias tem ultrapassado todo e qualquer limite aceitável. Já não é mais possível fechar os olhos para esse problema que cresce como uma erva daninha na sociedade brasileira. Já não é mais possível fingir que não há um problema sério a ser enfrentado. Selena não sorri mais, não sonha mais, não canta mais. As professoras saíram para mais um dia normal de trabalho e “voltaram” em caixões. Foram arrancadas de suas vidas, famílias e amigos. Tudo por causa do ódio. O que está sendo repassado para as próximas gerações? Bonito mesmo era quando era possível olhar para os jovens e dizer: eles são o futuro do país. Hoje, já não são mais. Diante dos últimos acontecimentos, dá medo pensar na desumanidade que é absorvida por jovens, e conceitos ligados ao desrespeito, à intolerância, ao ódio. 

Já não é mais possível olhar o futuro com esperança. Dia 25 de novembro é mais uma tragédia que materializa tais preocupações. O ódio está destruindo o Brasil. Pouco a pouco a sociedade se perde cada vez mais. Parte segue com o desamor e o desrespeito, e outra parte segue inerte. Já é possível temer o futuro. Hoje, as famílias das vítimas clamam por orações, amor, energias boas, seja qual for a crença, enquanto tentam entender o que aconteceu – se é que isso é possível. Qual o caminho que as levaram para esse lugar de dor e sofrimento? Diante de tudo isso, é impossível não se perguntar: a que custo naturalizamos tanto ódio, desrespeito e violência? Que futuro pode-se esperar vendo este presente?

 

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