A guerra da mente

CREPÚSCULO DA LEI – Ano IV – CIII

O Ato Institucional No. 5 (AI -5), de 13 de dezembro de 1968, documento maior do Golpe de 1964, não se referia a si como “golpe”. Ao contrário, fazia menção à uma “Revolução Brasileira” e a expressões como “assegurar a autêntica ordem democrática” (...).

Ora, todo golpismo atua dessa forma, subvertendo a racionalidade semântica que deve haver entre o objeto e o termo que o traduz da ideia para a realidade. É uma técnica militar que pode ser explicada (!).

Antes, porém, importa claramente evidenciar a “balela” ainda em prática desse papo retórico de “ordem democrática” golpista da burguesia derrotada em conúbio com a insensatez avulsa diante de quartéis, pelo simples fato de NÃO HAVER ORDEM DEMOCRÁTICA SEM PARTICIPAÇÃO MAJORITÁRIA DO POVO.

Sob esse aspecto, não interessa se a escolha popular é um desastre ou um descalabro, conforme foi feito nas eleições de 2018, mas foi uma eleição onde os perdedores sofreram as consequências. Todavia, foi uma eleição respeitada quanto ao resultado e isso chama-se DEMOCRACIA!

Nesse sentido, há que se lembrar à choldra - que insiste em desrespeitar a democracia - que eles foram perdedores no pleito. Essa patuleia conservadora já causou irreversíveis danos com suas práticas, práticas essas ofensivas à racionalidade semântica quando associadas à Deus, pátria, família e liberdade. Efetivamente desconhecem por completo o valor associativo dessas ideias no tocante à experiência histórica desses mesmos valores.

Voltemos à explicação sobre a técnica militar de controle mental. 

Boa parte da possível explicação para essa caverna de ignorância (sem fundo) pode ser compreendida ao se folhear um documento chamado Manual de Campanha de operações Psicológicas (C 45 – 4, Op Psico), o qual pode ser encontrado - e facilmente disponível - nas redes sociais. Esse manual é utilizado por forças militares para atuar psicologicamente em desfavor de grupos sociais, ao ponto de se estabelecer a conquista do espaço mental das pessoas e fazer da mente delas o campo de batalhas a ser conquistado. 

É exatamente isso que foi feito com a parcela da população que hoje se contorce desordenadamente, repetindo frases sem sentido e agindo como se tomadas por um transtorno psicológico qualquer. Seguindo as “orientações” desse manual, as tais palavras Deus, pátria, família e liberdade não foram ditas e repetidas exaustivamente pelos ocupantes do poder por serem eles próximos às divindades, patriotas efusivos e excelentes chefes de famílias. 

Ao contrário, foram deflagradas como exercício exitoso de hipocrisia e desdém com a fé pública, ao ponto de dividir famílias, amigos, vizinhos e, o que é mais grave, causar a morte de brasileiros entre si. Quem eventualmente quiser conferir, por exemplo, basta ir à página 29 do referido manual (199 páginas) para encontrar instruções catalogadas como “Generalizações Brilhantes” e constatar como se realiza a técnica de uso dos tais termos, combinando Deus com pátria, inclusive. 

Essa técnica exige que se explore também termos como paz e honra para suscitar exaltações de sentimentos emotivos, devendo, portanto, serem “vagas e ambíguas” exatamente para produzir a confusão de pensamentos e ideias. Ainda na mesma página é possível encontrar instruções para exploração do falso testemunho, do quadro familiar, da formação de maiorias e, claro, da incitação ao ódio. Tudo isso claro e explicado com exemplos e casos já acontecidos. Assusta. 

Assim, há que se lamentar que pessoas incautas tenham sido alvo dessa batalha mental e tenham perdido a racionalidade em favor dessa milícia agromiliciana sem pudor algum que agiu livremente no país nos últimos anos.

Toda a esperança agora se volta aos novos tempos, tempos em que cada palavra possa significar exatamente a ideia que ela carrega e se despejar docilmente na realidade, sem ser sequestrada, agredida e vilipendiada. 

Em tempos de palavras legítimas, o amor sempre vence o ódio.

 

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