A guerra começou

A guerra começou 

Engana-se quem acha que a disputa das eleições começaria somente em agosto, quando geralmente é autorizado o início da campanha eleitoral. Engana-se ainda quem cogitou que os candidatos respeitariam as “regras do jogo”. Ele já começou, e está “quente”, por sinal. A corrida pelo poder está a todo vapor. Indiretamente, mas está. A “guerra” está mais do que declarada. Nas tribunas das Câmaras Municipais, dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e, claro, nas ruas, os possíveis candidatos – para não falar candidatos, porque a lei eleitoral não permite – já começaram a mostrar a que vieram para entrar na disputa. Acusações, xingamentos, troca de farpas é o que se tem a “torto e a direito”. E é lógico que o atual cenário automaticamente nos leva a pensar: se está assim agora, imaginem quando  a disputa de fato começar, em agosto deste ano? 2022 literalmente não será um ano fácil, quiçá as eleições. O jogo do “vale-tudo” foi aberto e, nele, o que está em último lugar é o eleitor. A disputa não é por votos, mas, sim, pelo poder. O eleitor é apenas massa de manobra, para que os candidatos cheguem ou permaneçam nele: o poder. 

Enquanto você, leitor, está sentado neste momento, lendo este editorial, as assessorias dos candidatos estão trabalhando, procurando as melhores estratégias, as narrativas estratégicas, as acusações que rendem holofotes para conseguir tirar o máximo possível de concorrentes da jogada. E não se engane, você, leitor e eleitor, não são os que mais interessam nesse jogo. Você, ou melhor, nós, somos apenas o meio que os levará a mais quatro anos de mordomias e promessas que nunca são cumpridas – talvez um ou outra. Fazer essa afirmação é muito fácil. Nem é necessário muito conhecimento de causa. Afinal, se os eleitores fossem o que mais importa nesta corrida, o respeito às leis e ao próximo estariam em primeiro lugar. Mas, não, o que se vê neste momento são campanhas eleitorais extemporâneas. São governantes que disputarão algum cargo eletivo em outubro praticando a autopromoção a reveria. O que se vê são famílias “da política” trabalhando no que chamam de “dobradinhas”, para garantir a permanência no poder. 

É! O jogo começou e parece que não há regras. As coisas estão acontecendo assim, indiretamente, mas perceptível a olho nu. Basta prestar um pouco mais de atenção e querer enxergar. O que mais entristece nisso tudo é justamente isso, ver que o povo continua sendo massa de manobra. Que o interesse dos governantes é este, manter o eleitorado como um “gado”, em um curral, como está atualmente. Investir em educação, tentar mudar o cenário é o mesmo que soltar as amarras do “gado”, que segue acreditando piamente na existência de heróis. Isso, sim, dá votos, manter tudo como está. Para hoje, o conselho é: apertem os cintos, pois o jogo começou, e nele valerá absolutamente tudo pelo poder. Ao eleitor caberão duas escolhas: aceitar como se não estivesse vendo, ou se levantar e tentar mudar essa história por si só. 

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