A cultura do inevitável

A cultura do inevitável

O que realmente pode ser definido como inevitável? Será que tudo o que colocamos na conta do inevitável realmente não é possível de se evitar?

Segundo o dicionário, inevitável é tudo aquilo que não se pode evitar, algo que não depende de nós, que ao acaso nos acontece, ou mesmo que certamente vai nos acontecer um dia, como a morte. Inevitável é aquilo que não controlamos. 

A vida é, sim, feita de imprevistos, de altos e baixos, de momentos que não podemos controlar. Ater-se a isso também  é errado, porque você acaba perdendo um tempo precioso em que poderia curtir as mudanças e encontrar uma nova fonte de felicidade.

Mas não podemos nos acomodar naquela zona de conforto, creditando coisas ou situações possíveis de se evitar na conta do termo. Perdemos a hora de manhã e alegamos: “estava cansado demais, foi inevitável”. Se tivesse evitado se cansar, se colocasse o despertador mais cedo, o atraso seria evitado. 

No trabalho, a situação é cumprir ou não cumprir as tarefas determinadas. Se analisarmos do ponto de que tudo que foi possível ser feito, foi, caso não cumpra, pode ser considerado inevitável, porque as tarefas eram impossíveis de serem cumpridas, mas, se são possíveis e a pessoa não se esforça, não se dedica, não se empenha no cumprimento de tais tarefas, aí não se pode utilizar como desculpa.

Na vida pessoal, o assunto é mais polêmico para alguns, até interpretativo. Por exemplo, um dos parceiros do casal trai, alega que foi inevitável ou diz que a carne é fraca, ou que a situação fugiu ao controle, ou que foi persuadido, enfim, alega que foi impossível de evitar. Eu particularmente não acredito nessa desculpa, se traiu é porque quis, é falha de caráter, e descompromisso com o companheiro. Se  foi só um beijo e beijaram a força, não deixe, morde a boca para machucar. Se foram para a cama e alega que a carne é fraca, é cafajestice, índole ruim, pessoa não confiável. Se alega que foi induzido, contra a vontade, é estupro. Então pode se evitar, sim, traição não é inevitável. 

Na vida financeira, algumas situações são consideradas evitáveis, se planejadas, e outras inevitáveis. Por exemplo, você tem uma conta de luz a pagar, resolve ir a um show com o dinheiro, chega em casa a luz foi cortada era possível de se evitar. Agora, se o seu pagamento atrasou, tomou um cano, não tem como pagar, o corte de luz é inevitável.

Alguns exemplos de situações:

“Ela era muito bonita, não pude evitar traí minha esposa, sou homem”, errado, ser homem não é sinônimo de mau caráter.

“Eu estava bêbada na festa, ele me beijou, não pude evitar”, errado, se não tem controle, não beba.

“Eu não tive culpa de atropelar aquele homem, eu estava com sono”, errado, não dirija se não tem totais condições.

“Eu fui despedido porque faltei, mas estava cansado e perdi a hora, não pude evitar”, errado, se programe, tenha responsabilidade.

 

Enfim, o que realmente não se pode fazer é se utilizar da cultura do inevitável como desculpa para um problema que, se racionalizado, pensado e conduzido com bom caráter, poderia ser evitado. 

 

Alguns trechos de frases e poemas sobre o inevitável

 

“Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor”.

(Madre Teresa de Calcutá)



“Seu sorriso 

é admirável,

dona de uma determinação

inesgotável,

possui uma índole

impecável,

estar com você

é adorável,

te querer é 

improtelável,

me apaixonar 

foi inevitável”

(Welber Tonhá)

 

“A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida”.

(Charles Chaplin)

 

“O destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos”.

(Augusto Cury)

 

“Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,

a dança das espadas de todos os momentos.

E deveria rir, se me restasse o riso,

das tormentas que poupam as furnas da minha alma,

dos desastres que erraram o alvo do meu corpo…”.

(Guimarães Rosa)





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Welber Tonhá e Silva 

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.

Instagram: @welbertonha

 

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