A Cidade de forasteiros

WELBER TONHÁ

A Cidade de forasteiros

Divinópolis hoje comemora 110 anos de história, uma história de múltiplos renascimentos e transformações, seja por crises ou mesmo adaptações aos tempos e novidades que aqui chegaram.

A cidade, que recentemente era referência em polo confeccionista, com centenas de confecções, em outros tempos ostentou o poder de suas fundições e a casa da ferrovia - nesse último caso, ainda mantém a maior oficina de reparos da rede ferroviária da América Latina. Essas referências remetem ao título do meu texto.

Desde o primeiro habitante das margens do Itapecerica, mais exatamente nessas nossas “Terras do Divino”, Manoel Fernandes Teixeira, popularmente conhecido como Candidés, a tradição de cidade dos forasteiros já se desenhava, tendo em vista que Manoel era paulista e se embrenhou por estas terras vindo da Guerra do Emboabas.

A tradição de forasteiros que chegaram aqui e se instalaram segue naquele que trouxe a ferrovia e emprestou seu nome à estação e gerou o primeiro nome da cidade, ainda vila, o engenheiro da Rede Ferroviária Henrique Galvão. Durante a emancipação, a Vila Henrique Galvão se tornou cidade Henrique Galvão e, poucos meses depois, Divinópolis.

Uma das pessoas que mais lutaram pela emancipação política foi o folclórico Pedro X. Gontijo, outro forasteiro que, apesar de ter chegado aqui por ordem do pai Honório Gontijo, com apenas sete anos, acompanhando o irmão mais velho, Antônio, a fim de morar com seu tio padre Pedro, nasceu em Água Limpa, município de Itapecerica.

A cidade cresceu, os inúmeros forasteiros foram chegando, se instalando, o comércio crescendo e um dos nomes mais tradicionais, um dos pioneiros com seu mercadinho, que muito ajudou no desenvolvimento da cidade foi Halim Souki, forasteiro vindo da cidade de Shouefait, no Líbano. Durante a crise ferroviária, ele vendia fiado aos ferroviários, com a confiança no “fio do bigode”, e isso fez com que muitas famílias não passassem fome, até que se resolvesse o futuro da Rede Ferroviária.

A medicina se desenvolveu com a chegada do primeiro médico da cidade, Francisco Alves Cabral, que saiu do Rio de Janeiro logo após se formar por ter sentimento com a família real, que havia se apossado de terras e bens da família em nome da coroa. Com isso, se estabeleceu nas terras do Divino e aqui fez morada, exercendo a função de primeiro médico, além de gerar um filho da terra, o brigadeiro Antônio Alves Cabral. Mas, falando de médico e forasteiro, não posso deixar de citar o dr. Zózimo Ramos Couto, um médico que fazia do juramento de Hipócrates seu lema a fio, atendia a todos sem se preocupar com a condição financeira, localidade, ou mesmo situação. O dr. Zózimo era forasteiro de Diamantina.

Diversos forasteiros contribuíram para a história de nossa cidade - nomes como o ex-prefeito Jovelino Rabelo, um forasteiro vindo do Japão de Oliveira, hoje Carmópolis; o Chuquinho Teodoro, do Hotel Íris, que nasceu em Pará de Minas; o professor Pânfilo, que nasceu em Salvador, na Bahia; padre Libério, natural de Lagoa Santa; o farmacêutico Raimundo Ferreira, de  São Gonçalo do Pará; o professor Mário Casassanta, que nasceu em Camanducaia; ou mesmo o engenheiro Antônio Gonçalves Gravatá, natural de Salvador na Bahia, responsável pela instalação da primeira usina de álcool motor da América Latina, aqui em Divinópolis, onde hoje é o Teatro que leva seu nome, Teatro Gravatá.

Eu poderia citar aqui centenas de nomes que justificam este meu texto. Mas, para não ser injusto e esquecer de alguém, paro por aqui lembrando de só mais um forasteiro que aqui chegou, se instalou, com seu trabalho de pesquisa histórica e atuação cidadã recebeu o título de  Cidadão Honorário, foi eleito membro da Academia Divinopolitana de Letras (ADL), é pai do Alexandre (filho da terra), é apaixonado por Divinópolis, cidade que o acolheu, e assino este texto, parabenizando Divinópolis pelos seus 110 anos.

 

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