2021: O ano da nova política?

JANEIRO 

2021 começou quente na política divinopolitana. Logo no dia 1º de janeiro, Gleidson Azevedo (PSC) e Eduardo Print Júnior (PSDB) foram empossados como prefeito e presidente da Câmara, respectivamente. O começo, no entanto, teve realidades distintas para os políticos. O chefe do Legislativo relatou a experiência como um momento mágico e prometeu reduzir os custos da Câmara e devolver parte da verba para o Executivo. Gleidson, por sua vez, enfrentou grandes dificuldades logo nos primeiros dias de governo. O pior deles foi herdar o comércio fechado com a onda vermelha. Uma denúncia do Ministério Público (MP), o impacto das chuvas que assolaram a cidade e a saída de um dos secretários também prejudicaram o político. Preocupado com a relação entre Câmara e Prefeitura, Gleidson escolheu Edsom Sousa (CDN), o mais experiente entre os vereadores, como líder do governo.

 

FEVEREIRO

O destaque do segundo mês de 2021 na política é reservado para a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a UPA. Proposta pelo vereador Eduardo Azevedo (PSC), a pauta recebeu aprovação dos outros parlamentares e buscou investigar possíveis irregularidades na gestão da unidade. A CPI foi encerrada em março para aguardar o desfecho da investigação da Polícia Federal envolvendo a Organização que gerenciava a UPA e o Hospital de Campanha. 

 

MARÇO

26 de março. Com o comércio fechado devido à onda roxa, a maioria dos divinopolitanos sintonizou nos canais oficiais da Câmara para acompanhar a 4ª Reunião Extraordinária do ano. Nela, os vereadores decidiram antecipar alguns feriados municipais a fim de promover um lockdown na cidade e frear a contaminação da covid. Em uma votação apertada, o projeto foi aprovado e causou opiniões diferentes na cidade.

 

ABRIL

O mês de abril foi um dos mais agitados. Logo no dia 7, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) apresentou uma denúncia ao Ministério Público (MP) alegando má condução da Prefeitura de Divinópolis durante a pandemia. Na semana seguinte, Warlon Elias, presidente do CMS, registrou um boletim de ocorrência após sofrer diversos ataques virtuais. Similarmente, a ex-candidata à Prefeitura Laiz Soares e a vereadora Lohanna França (CDN) também sofreram ameaças de pessoas que apontaram as políticas como responsáveis pelo fechamento do comércio não essencial. A decisão, no entanto, não partiu de nenhuma das três personalidades, mas, sim, do governador Romeu Zema (Novo).

 

MAIO

Divinópolis também se mostrou ativa no cenário político nacional. No começo do mês, manifestantes participaram de um ato a favor do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Belo Horizonte. Líder do Movimento Brasil Acima de Tudo (MBAT), o ex-vereador Sargento Elton foi responsável pela organização da caravana. No dia 29, foi a vez de manifestantes da oposição se reunirem num ato contra Bolsonaro em Divinópolis. As manifestações, pró e contra o chefe da República, foram recorrentes durante todo o ano.

 

JUNHO

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) foi responsável pela grande movimentação política de junho. Protestando em frente à Prefeitura, eles requisitaram a recomposição salarial de 5,2% prevista em lei. Gleidson, todavia, argumentou que não pagaria o reajuste devido a uma Lei Federal. O protesto iniciou um dos maiores desgastes políticos do prefeito neste ano. Mesmo com vários desdobramentos, incluindo um pedido de impeachment, o Executivo foi irredutível e não concedeu o aumento salarial previsto em lei.

 

JULHO

Gleidson não fugiu das polêmicas em seu primeiro ano de mandato. O mês de julho foi marcado pela discussão com um agente de trânsito. O prefeito abordou um profissional que estava aplicando uma multa em um cidadão e ameaçou rasgar o documento. O vídeo, publicado pelo próprio político, repercutiu negativamente nas redes sociais. Entre os desdobramentos da ação, destaca-se a indenização de R$ 100 mil pedida pelo Sintram alegando abuso de autoridade do prefeito. O mês também ficou marcado pelo anúncio da chegada de R$ 15 milhões para Divinópolis, que vieram do Estado mediante acordo com a Vale.

 

AGOSTO

O desinteresse dos vereadores da Câmara com as reuniões e prestações de contas marcou o mês de agosto. Em forte declaração concedida ao Agora, o presidente da Casa, Eduardo Print Júnior (PSDB) relatou desleixo e desinteresse de alguns parlamentares. Em algumas ocasiões, por exemplo, o vereador precisou solicitar a presença dos colegas no plenário para votar projetos. A reportagem também registrou baixa ocupação de lugares durante encontros oficiais que aconteciam fora das reuniões ordinárias. 

 

SETEMBRO

As polêmicas na Câmara também foram evidentes em setembro. Durante o mês, três episódios abalaram as estruturas do Legislativo e prejudicaram as relações entre os vereadores. Lohanna França apresentou uma representação contra Eduardo Azevedo (PSC) alegando quebra de decoro parlamentar. Na opinião da vereadora, ele participou de campanhas mentirosas contra ela e incitou seus seguidores a considerarem que a parlamentar era uma ameaça à família. Uma discussão acalorada entre Roger Viegas (Republicanos) e Rodrigo Kaboja (PSDB) sobre um projeto levou o veterano ao hospital após uma forte dor de cabeça. Semanas depois, Flávio Marra (Patriota) e Diego Espino (PSL) também protagonizaram discussões entre si.

 

OUTUBRO

"Vocês vão ter que me segurar.” Quem acompanhou a política divinopolitana neste ano sabe quem é o autor desta frase. Trata-se de Diego Espino (PSL) que protagonizou, na última semana de outubro, a cena mais bizarra de 2021 na Câmara. Alterado com a repercussão negativa de um projeto, o parlamentar gritou, xingou, bateu na tribuna e desmaiou no plenário do Legislativo. O vídeo viralizou em todo o país e gerou comentários de Felipe Neto, Antonio Tabet e outros famosos. Ele reconheceu a exaltação e garantiu que não usou qualquer tipo de drogas ou ingeriu bebidas alcóolicas.

 

NOVEMBRO

A polêmica do geoprocessamento foi o destaque do mês de novembro. Mais de 60 mil divinopolitanos se espantaram ao receber cartas da Prefeitura informando sobre uma atualização na cobrança do IPTU. Por meio do georreferenciamento, instrumento tecnológico que fez o mapeamento de diversos imóveis no município, o Executivo constatou irregularidades no território de algumas propriedades. A mudança, no entanto, gerou enorme repercussão negativa para o Executivo, que, por meio de Gleidson, explicou que a atualização foi aprovada em 2019 e precisava ser aplicada nesta legislatura. 

 

DEZEMBRO

O conturbado ano político foi encerrado com os desdobramentos do afastamento de servidores acusados de praticar crimes de corrupção, falsidade ideológica, associação criminosa e inserção de dados falsos na Prefeitura. Segundo Gleidson, a investigação partiu da própria gestão, que solicitou a reabertura da investigação na Polícia Federal (PF). Com a saída dos trabalhadores, o prefeito enviou à Câmara um projeto para conceder férias e 13º proporcional para os novos servidores que foram contratados para suprir a ausência dos investigados. 

 

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