110 ANOS: qual a nossa direção?

EVANDRO ARAÚJO 

 

110 ANOS: qual a nossa direção?

Não espere do texto a seguir uma apologia à efeméride. Mas também não será um conteúdo niilista, desprovido de esperança. Neste 1º de junho, quero ser realista. Temos a tradição de supervalorizar datas cheias. Como o cinquentenário ou centenário são datas que privilegiam poucos,  cabe-nos utilizar essas datas cheias, 80, 90… 110, 120, enquanto nossas crianças e adolescentes se preparam para o sesquicentenário, em 2062. Até lá, Divinópolis terá que tomar decisões importantes.

Se na década de 1940 éramos 23 mil habitantes, em menos de 80 anos multiplicamos esse número por 10.  Em termos populacionais, não se repetirá mais o desordenamento dos anos 70 e 80 (até mesmo porque hoje existem leis que regulamentam a ocupação). Com exceção de Nova Serrana e mais uma ou duas outras no Brasil, isso não acontece mais. É mais fácil planejar com a desaceleração populacional. Mas isso não quer dizer que será fácil executar o planejado. Poderia falar aqui de dezenas de desafios, mas neste 1º  de junho dos 110 anos, vou me ater a algo que atormenta o nosso cotidiano: o trânsito. 

Haverá cada vez mais carros. E as ruas serão as mesmas. Por isso a descentralização é cada vez mais importante. Nesse quesito, começamos a fazer nosso dever de casa. Deixaram a área central a Rodoviária, a Prefeitura, a delegacia, a UPA e algumas instituições de ensino, entre outras. Isso ajuda a desafogar. Já não precisamos mais ir ao banco para quase nada e, em alguns bairros, há vida própria, com um comércio mais pujante do que muitas cidades da região. 

Mas para se efetivar essa vida sem o Centro é preciso investir em infraestrutura entre os bairros, algo que estamos inicialmente entrando na fase de planejamento. Para se deixar ou chegar à região Sudeste, a de maior densidade populacional de Divinópolis, ainda há gargalos que terminam sempre nas pontes do Porto Velho, Niterói ou Antônio Fonseca. Então vamos construir novas pontes, você pode afirmar. Ok, mas onde, entre as já existentes, já que, tirando as ruas do Centro da cidade, cairão nas ruas estreitas do Esplanada e do Porto Velho? 

Nesse caso específico, há duas alternativas: a primeira é a construção de uma ponte ligando a rua São Paulo, do antigo restaurante popular, até a rua Gonçalves Ledo, no Porto Velho, com aproximadamente 280 metros de comprimento. Será preciso alguém com espírito de Antônio Olímpio de Morais ou Antônio Martins Guimarães para primeiro colocar isso no papel e depois transformá-lo em realidade. E que, no calor dessa decisão, determine-se também a construção da ligação entre os bairros Maria Helena / Progresso e a rua Benedito Gonçalves, no Centro Industrial.

E quem sabe também deixe o papel a tão falada ponte ligando os bairros Quinta das Palmeiras ao Realengo. 

Outra alternativa importante é retirar os passeios para pedestre na Ponte do Niterói. Com isso, haveria a possibilidade de passagem de dois veículos, simultaneamente, em cada um dos sentidos, eliminando os engarrafamentos que já chegam a quarteirões. Nesse caso, a passagem dos pedestres seria em passarelas a serem instaladas na lateral da ponte. E até aqui falamos apenas sobre uma parte de Divinópolis. Há que se pensar ainda na Rodovia dos Batistas, outra demanda das mais importantes que temos. Ou na melhoria do transporte coletivo. E também a construção de pelo menos oito viadutos sobre a ferrovia (já que os trilhos continuaram mesmo onde estão). Mas isso merece um novo artigo. Quem sabe a gente não aborde isso no aniversário do ano que vem. Afinal, serão 111 anos. E a turma da numerologia gosta desses números assim.

 

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