Ética, uma cultura primordial

Os tempos passam, as gerações mudam, mas aquilo que é errado sempre será errado, mesmo que todos façam - e o certo continuará sendo certo, mesmo que ninguém faça. Partindo desse princípio, deveria ser comum o entendimento e a escolha de ações e atitudes com a conduta fundamentada na ética, mas isso em um mundo ideal, as vezes até utópico, porque me deparo diariamente com comportamentos que contrapõem a ética em todos os setores sócio, econômico e cultural da sociedade.

Podemos não ser um exemplo perfeito de pessoa, errar é humano, e por vezes, de alguma forma, não ter agido da maneira ideal, desde que involuntariamente, por situações que fugiram ao  controle e/ou que não dependeriam exclusivamente de nós; mas nunca agir de forma desleal, antiética, inescrupulosa ou de má fé. Nunca prejudicar ninguém intencionalmente. A conduta ética é a base de qualquer sociedade que busca evoluir pelo caminho correto e em paz. 

Infelizmente, vemos políticos, empresários e até educadores agindo de forma contrária, no caso deste último é ainda mais triste, pois são formadores de opinião, instrutores e responsáveis pelo direcionamento na vida de crianças e jovens, que se espelham neles e os entendem como referência de vida.

Alguns podem achar que estou exagerando, mas não. Esta semana tomei conhecimento de uma conduta nada correta de uma diretora de escola particular da cidade. Ela despediu a coordenadora pedagógica de sua escola de forma dura e desumana. Os mais céticos vão falar que “faz parte do mercado”, “é normal”, “a diretora pode fazer isso”,  “não tem nada de errado”… Sim, compreendo, mas, no caso em questão, a diretora não teve um motivo técnico, profissional ou de má conduta, foi simplesmente por se incomodar com o “excesso de carisma” que a coordenadora em questão conquistou em alunos, professores e funcionários, e isso incomodou tanto que a despediu. 

A diretora esperou a coordenadora organizar os eventos de formatura dos estudantes, resolver os problemas com alunos em fase de recuperação, de  possíveis transferências, organizar colação de grau, encomendar a cesta de Natal de professores e funcionários, além de inúmeras demandas até fora de sua função e, no seguinte dia letivo, quando a coordenadora chegou para trabalhar, simplesmente a dispensou, com um curto “seus serviços não são mais necessários”. Não a deixou terminar o dia de serviço, não lhe explicou o porquê, já lhe excluiu dos eventos de formatura, não levando em conta o bom relacionamento que professores, estudantes, pais e funcionários (com exceção da diretora, é claro) tinham construído com essa coordenadora. Não permitiu a despedida dos alunos que diariamente conviviam com ela e, em uma atitude ainda menor,  sua cesta natalina ficou no canto da dispensa, proibida de ser entregue àquela que tudo organizou, inclusive a sua compra. Enfim, a ética não é a cultura aplicada por esta diretora e, se conheço bem Divinópolis, isso vai refletir nas matrículas do próximo ano, aí será tarde. Para aqueles que não entendem realmente o significado de ética, segue:

o termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Nesse sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.

A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. 

 

  

Alguns trechos de frases a respeito do tema abordado

O educador deve propiciar aos seus aprendizes, não a doutrina, mas a consciência. A consciência do que é o bem, o bom e o belo.  

(Guimarães Rosa)

 

Sua labuta

Da nada há de valer

Se em sua conduta

A ética não prevalecer

(Welber Tonhá)

 

A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado.

(Theodore Roosevelt)

 

Se estiveres no caminho certo, avança; se estiveres no errado, recua.

(Lao-Tsé)

 

Frequentemente é necessário mais coragem para ousar fazer certo do que temer fazer errado.

(Abraham Lincoln)

 

Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.

(Mahatma Gandhi)

 

Não há nada de mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo.

(Martin Luther King)




Continuamos a falar um pouco sobre os prefeitos na história de nossa cidade. Agradeço ao acesso a essa pesquisa ao amigo Marcos Crispim do Arquivo Público de Divinópolis.

 

27ª. Gestão -  Antônio Martins Guimarães - Prefeito eleito.

(31/01/1973 a 31/01/1977). Vice- prefeito: Jaime Martins do Espírito Santo.  

 

Nasceu em Nova Serrana, MG. Filho de João Martins do Espírito Santo e Maria Cândida do Espírito Santo. Veio com a família, para Divinópolis, estudou no Pe. Matias Lobato e foi vendedor de quitandas, doces e chouriço. Frequentou Gin. Getúlio Vargas, em BH; lá fundou e dirigiu duas fundições e um bar. Em Divinópolis, fundou e dirigiu a Fundição Guarany e Ferroeste Industrial. Foi diretor de inúmeras outras indústrias e de entidades diversas. 

 

Principais realizações: mudou o perfil da cidade e saiu pobre da Prefeitura; suplente de deputado estadual e diretor da Copasa; construiu do novo viaduto do Porto Velho; reforma da rede elétrica com lâmpadas de iluminação pública a vapor de mercúrio; construção da praça São Sebastião; reforma do saneamento básico do centro; calçamento e pavimentação asfáltica no centro; criação de conselhos comunitários nos povoados rurais.

 

Tem pauta para sobre a cultura? Envie para [email protected]

Welber Tonhá e Silva 

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.

Instagram: @welbertonha

 

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