‘Tempo de Promessa’

‘Tempo de Promessa’

 

O novo ano chegou e junto com ele veio o “Tempo de Promessa”. Sim! É chegado o tempo de abraçar o pobre, andar com ele, conversar, ou melhor, iludir, ir para as feiras, comer pastel com caldo de cana e por aí vai. 2022 sem sombra de dúvidas não será um ano de muitos avanços, e isso não é ser pessimista, é ser realista. Para chegar a essa constatação basta olhar o que vem pela frente. Por causa das eleições majoritárias, quem ocupa cargos no Executivo e  vai disputar o pleito – como Romeu Zema (Novo) e Jair Bolsonaro (PL) – deverá deixar suas respectivas cadeiras até 1º de abril para concorrer às eleições. Engana-se quem pensa que é neste ano que as grandes obras saem. É como dizem por aí, “quem fez, fez, quem não fez, não faz mais”. 

Talvez alguma coisa aqui, outra ali será feita pelo grupo político que envolve o candidato que disputará o pleito, em um plano político elaborado minuciosamente. Do contrário, serão apenas promessas, nada mais do que isso. Divinópolis, claro, tem seus elefantes brancos que devem ser utilizados como “moeda de troca”. Entre eles, o Hospital Público Regional e a Estação de Tratamento de Esgoto do Rio Itapecerica (ETE Itapecerica). Duas grandes obras que deveriam ter sido entregues ao povo em 2016, e hoje, cinco anos depois, ainda caminham – e parando de vez em quando para descansar. Para chegar a essa conclusão também não é preciso ir muito longe. Informações que, segundo o prefeito Gleidson Azevedo (PSC), vieram do Estado, as obras no Hospital Público só no segundo semestre deste ano.

Apesar de a campanha eleitoral “encontrar” justamente com o período quando os serviços possivelmente serão retomados, em que  tudo é fiscalizado e os políticos não podem usar obras públicas para propagandas eleitorais, a estratégia é válida. Afinal, “para um bom entendedor um pingo é letra”. Por que retomar justamente quando as eleições estarão a todo vapor? Por que não fazer isso agora, nos primeiros meses do ano? Essa situação remete àquela velha frase do ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso: “o povo brasileiro esquece rápido”. Sim, os brasileiros esquecem muito rápido, e por que não retomar uma grande obra quando o povo está com os olhos voltados para as eleições, em busca do seu herói? Meses antes da Copa do Mundo, quando tudo para?

É “Tempo de Promessa”, de gravar vídeos, de fazer discursos bonitos, de gritar, chorar, berrar... É tempo de dizer que veio para fazer e ser a diferença, mesmo quando tudo caminha na mais absoluta normalidade. Afinal, se parar para analisar o processo é o mesmo a cada dois anos. A cada dois anos tudo para. Os candidatos deixam seus cargos, seus vices, seus suplentes assumem seus lugares e tudo segue no mesmo fluxo que rege o Brasil desde as primeiras eleições pós-ditadura. E assim, ano após ano, eleição após eleição, em busca de heróis que não existem, o Brasil segue em seu mais absoluto ritmo eleitoral, ouvindo promessas, e o pior, acreditando piamente em cada uma delas.

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