‘Puxar carroça’

‘Puxar carroça’

Definitivamente ser brasileiro nunca foi fácil, mas pior a cada dia. É como dizem por aí, “a cada dia é um 7 a 1 diferente”, em referência à goleada que o Brasil tomou da Alemanha, na Copa do Mundo, em 2014, no Mineirão. Com o poder de compra reduzindo um pouco a cada dia, os mineiros da região Centro-Oeste iniciaram a semana amargando mais uma péssima notícia. O aumento do pedágio do sistema MG-050/BR-265/BR-491. A nova tabela de preços começará a valer a partir da próxima segunda-feira, 13, e vem atrás de diversos outros aumentos que os brasileiros estão enfrentando dia a dia. Falar que o povo está pagando mais uma vez uma conta que não é sua é praticamente “chover no molhado”, pois todos estão cansados de saber disso. O brasileiro paga por essa conta desde que o Brasil é Brasil. Mas, diante do atual cenário econômico, em que a inflação segue disparada e não há projeção de um cenário favorável, a conta tem ficado cada vez mais salgada. 

Alimentos caros, combustíveis, gás, e mais pessoas voltando para a linha de extrema pobreza é o atual momento, que escancara a realidade nua e crua. Ao mesmo tempo em que milhões de pessoas passam fome em suas casas e outras lutam arduamente para ter o básico, os governantes, que são eleitos e pagos – muito bem pagos, diga-se de passagem –, seguem por aí com os seus projetos de se manterem no poder, custe o que custar. Ao mesmo tempo que milhares de pessoas vivem em situação de rua, o fundo eleitoral tem valor recorde de R$ 4,9 bilhões. Ver essa situação chega a dar ânsia de vômito. A sociedade brasileira falhou absurdamente. Falhou em cobrar, em saber o que e quando cobrar, em se colocar no lugar do outro, em olhar realmente para o outro e em ser humanidade. 

Infelizmente, de todos os caminhos que se poderia escolher, como respeito, empatia e responsabilidade, o povo escolheu pelo o da intolerância e da hipocrisia. De um lado, nitidamente dividido, o país tem seus “engravatados”, que se utilizam todo e qualquer tipo de auxílio (milionário). Até mesmo aqueles que se autodenominam diferentes se beneficiam do que a política pode oferecer, porém, sem gravatas. Do outro lado, um povo cansado, extorquido, maltratado, que carrega em suas costas aqueles que deveriam trabalhar diariamente para que esse cenário não fosse o que enfrentamos hoje. Afinal de contas, se tem algo que não está fácil enfrentar é esse 7 a 1 todos os dias. Pagar uma conta que não é sua e que a cada dia fica mais “salgada” não é uma tarefa das mais prazerosas. Mas o que mais entristece é constatar que não há perspectivas de mudanças a curto prazo. O povo está condenado a “puxar a carroça” durante um bom tempo e a ter que suportar mais mais e mais goleadas pela frente. 

 

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