‘O que o prefeito fez pela Saúde até agora?’, questiona presidente do CMS

Warlon relata sentimento de indignação, cobra  trabalho de vereadores e indica saída do cargo

 

Bruno Bueno

O presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Warlon Elias, usou ontem a Tribuna da Câmara para criticar a atuação do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (PSC), no setor de Saúde.

Para ele, decisões da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) atrapalham o bom funcionamento de unidades do município. Além disso, cobrou fiscalização de vereadores, criticou o processo de licitação da UPA, indicou a saída do cargo e questionou: ‘o que o prefeito fez pela Saúde até agora?’

‘Indignação’

Com sentimento de ‘indignação’, Warlon iniciou seu pronunciamento criticando a atuação da Prefeitura  no setor da Saúde.

— Vejo pessoas sofrendo por uma saúde que não tem funcionado com uma gestão que atua sem direção. Estamos no mês 10, do dia 18, do segundo ano desta gestão, e até hoje o gestor não tem instrumentos de gestão exigidos pela Legislação vigente — disse. 

O presidente indica omissão de alguns vereadores que, em sua opinião, deixam de fiscalizar o setor por não fazerem parte da Comissão de Saúde.

— A meses atrás, o presidente do Conselho de Saúde usou essa tribuna e relatou situações oficiais e documentadas. Então, eu pergunto: o que essa Casa fez ou vai fazer com essa situação? O vereador não tem o papel de somente atuar na comissão que escolher ser indicado. Votamos em vocês para nos representar em todas as situações, principalmente de possíveis iniquidades (...) — afirma. 

UPA

Crítico ferrenho de Gleidson Azevedo (PSC) desde o início do mandato, Warlon questionou novamente as ações do chefe do Executivo.

— O que o prefeito, que afirmou no passado: “se em 6 meses não der resultado, eu troco”, fez até agora? Apesar do segundo ano de mandato estar terminando, não tem Plano Municipal de Saúde (PMS) e Programa Anual de Saúde (PAS) — acrescentou Warlon.

O processo de escolha da nova administradora da UPA após a saída do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS) também foi motivo de críticas do tribuno.

— Apesar de já ter um edital com o segundo colocado para assumir a UPA [2019], o gestor realizou outro edital que fez com quem não deveria estar lá [IBDS] permanecesse por mais um ano sacrificando o cidadão. Além de ter um novo custo de edital, a segunda colocada no primeiro edital foi declarada vencedora. Por que o Ibrapp não assumiu um ano atrás? — pontua.

Questionamentos

Warlon argumenta que os recursos técnicos utilizados na elaboração de um novo edital poderiam ter sido utilizados na elaboração do PMS e PAS.

— Talvez já estariam prontos. Para os vereadores, ficam os porquês. Nós, cidadãos, esperamos que vocês nos respondam — enfatiza.

Conforme o servidor, o impacto das ações da Secretaria Municipal de Saúde pode gerar consequências graves para outras cidades na região.

— Divinópolis é parte de uma macrorregião com 53 municípios. Isso que está acontecendo por falta de planejamento, no caso de instrumentos de gestão exigidos em dispositivos legais, pode gerar consequências nesta região (...) — esclareceu.

Consórcio

Warlon também falou sobre um projeto da Prefeitura  que tramita na Câmara Municipal. O texto pede a autorização para criar um novo Consórcio de Saúde em Divinópolis. Sem aprovação do CMS, ele argumenta que a proposta é ilegal.

— Mais uma vez tenta atropelar dispositivos legais e usar a Câmara para passar o que não foi aprovado no Conselho de Saúde. A lei diz que qualquer projeto só pode passar aqui se for aprovado lá primeiro — explica.

O presidente justificou sua discordância em relação ao projeto.

— O que significa um novo consórcio de outra cidade? Hoje, os consórcios trazem pessoas para serem tratadas em Divinópolis. Elas e seus acompanhantes consomem em nossa cidade e geram emprego e renda com o turismo da Saúde, que tem cifras na casa dos milhões mensais. Qual a loja que não vendeu para esse tipo de turista? — reitera. 

 

Inversão

Ainda sobre o consórcio, Warlon argumenta que, em sua opinião, trazer um consórcio de fora significa inverter o fluxo de emprego e renda, fazendo com que enfermos e profissionais precisem ser exportados.

— O Tratamento Fora de Casa (TFC) é necessário, pois muitos não podem ser feitos aqui, porém essa prática deve ser reduzida a somente o que não podemos fornecer na cidade (...) — criticou.

Por fim, o voluntário deu a entender que irá deixar o cargo de presidente no CMS. 

— Sem uma gestão que opera dentro do que a legalidade exige, é arriscado. O gestor sempre manda pedidos que ele não planejou e de última hora quer que a gente aprove. E a gente tem que se assinar. Isso me coloca em risco. Estarei no Conselho, mas não concordo com o que está acontecendo na Saúde — finalizou.

Ana Paula do Quintino

A fala do tribuno causou repercussão entre os vereadores. Ana Paula do Quintino (PSC) foi uma.

— Você sabe quais as comissões que eu pertenço. Mas, uma das minhas propostas na campanha foi a transparência na Saúde. Eu visito as unidades de saúde e a UPA. Uma coisa que eu tenho falado sistematicamente aqui, desde o ano passado com o secretário de Saúde: se a ponta não funcionar, o resto não funciona. Você é testemunha disso — afirma.

Base do governo no Legislativo, a vereadora concordou com as poderações de Warlon e criticou o trabalho feito pela pasta da Saúde.

— Não tiro sua razão em nada. Se não está bom, tem que tirar mesmo. Continua a mesma coisa. A ponta não funciona. O pessoal chega na ponta, eles mandam para a UPA. Chega na UPA, ela está lotada. A gente precisa entender o que está acontecendo. Onde está a deficiência? (...) — disse.

Lohanna França 

Vereadora e deputada estadual eleita, Lohanna França (PV) parabenizou Warlon pelo trabalho realizado e intensificou críticas para a Semusa.

— (...) Eu tenho me posicionado sobre as denúncias que recebo na área da Saúde. Mas, é fato que o prefeito tem maioria aqui na Câmara. (...) É de se questionar a que ponto existe interesse do parlamento em investigar o que o prefeito está fazendo. É irregular o Executivo gastar dinheiro na Saúde sem Plano Municipal. Copiou o de Belo Horizonte. É igualzinho — pontuou Lohanna.

Ela também garantiu que continuará seu trabalho de fiscalização na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

 — (...) Fica o meu compromisso até o fim do meu mandato com a fiscalização da Saúde e, assumindo na Assembleia, o trabalho com muito mais força. Se a Câmara tem se comportado, no geral, de forma pelega, essa vereadora não é. Pode contar comigo — ressalta.

Prefeitura 

Questionada pelo Agora, a Prefeitura enviou um posicionamento sobre a fala do presidente do Conselho Municipal de Saúde.

— Ele se manifestou na plenária como cidadão, ele tem esse direito e respeitamos. Mas, a Prefeitura de Divinópolis informa que trabalha diuturnamente para melhoria na saúde do município e várias ações já foram efetivadas — explica.

A nota também fala sobre algumas ações feitas pelo setor de Saúde do município desde o início do mandato.

— Aumento da cobertura na Atenção Primária, troca da gestão da UPA para melhorar o atendimento, modernização de processos para agilizar os atendimentos, contratação de novos prestadores para ampliação de oferta de serviço. Temos buscado todos os dias soluções para melhorar a oferta de saúde do município — relembra.

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