Ódio seletivo

Ódio seletivo

Por Edmilson Siqueira

O governo de Jair Bolsonaro talvez seja o pior da história do Brasil. Ele conseguiu estragar coisas simples e boas, piorar coisas ruins e criar uma série de coisas muito piores do que qualquer outro presidente da República já havia feito antes. Por isso merece, de qualquer cidadão honesto, as mais duras críticas que se possa fazer a um político.

Mas o Brasil não é para amadores, já disse alguém (eu ouvi pela primeira vez da boca do grande Tom Jobim, mas não sei se a frase é dele). E, constatado o fato de que só profissionais se dão bem na política – profissionais da sacanagem, da desonestidade, da corrupção – o que se nota hoje é que o ódio que se destila contra Bolsonaro não existiu em governos anteriores, quando tivemos situações beirando calamidades, como o Mensalão que só puniu gente externa ao governo e foi o embrião da corrupção maior que viria depois, o apoio a ditadores de esquerda, várias tentativas de calar a imprensa, programas de saúde para beneficiar um governo ditatorial de esquerda, perdão de dívidas de ditaduras africanas em troca de um apoio numa eventual mudança do Conselho de Segurança da ONU que nunca ocorreu e, a cereja no bolo dos bacanas, a maior corrupção que esse país já viu e que, talvez, o mundo tenha visto. Eu me lembro de um programa de TV dos EUA, onde o apresentador se espantava com o roubo dos corruptos petistas e companhia que, segundo ele, tinha atingido 800 milhões de dólares. Não sei se ele fez outro programa quando se descobriu que as somas roubadas da Petrobras e do tesouro atingiram mais de 2 bilhões de dólares. E até hoje continuam aumentando.

Todos esses crimes cometidos pelos petistas, nos 14 anos em que ficaram no poder, mataram muita gente no Brasil. Claro, Lula ou Dilma não foram apologistas da morte, não diziam “e daí?” diante de tragédias, mas mataram, indiretamente, milhares e milhares de brasileiros. Mortes causadas pela falta de manutenção nas estradas, pois o setor foi entregue ao PMDB que dele enriquecia; morte pela falta de atendimento à saúde, pois o setor foi vítima de vários petistas que dele enriqueceram; morte por falta de escola que leva crianças ao crime, pois a educação teve centenas de concorrências viciadas, onde o preço acertado era muito maior que o de mercado para sobrar a devida propina para os agentes públicos e políticos; morte por falta de dinheiro para levar saneamento básico para todo o Brasil, pois o dinheiro sempre era dividido entre os caciques de partidos do Centrão, esse mesmo que hoje garante a permanência de Bolsonaro no poder em troca de cargos e emendas de bilhões de reais.

E durante todos os governos de Lula e Dilma eu não vi o ódio que é destilado contra Bolsonaro de muita gente que hoje se diz neutra, ou que votou no Ciro Gomes ou que não vai votar em ninguém. Dos petistas de carteirinha e do rebanho que o PT sempre enganou, daqueles que andavam vestindo camisetas com “Lula Livre” escrito no peito não se pode mesmo esperar muita coisa, obviamente. Mas onde estavam aqueles que hoje odeiam Jair Bolsonaro e que não são petistas, quando o petismo desgraçava o Brasil e enganava milhões de brasileiros distribuindo esmolas para garantir um curral eleitoral?

Esses se calavam, numa cumplicidade quase tão assassina quanto o governo que indiretamente defendiam com seu silêncio.

Hoje, vejo destilar nas redes sociais e na imprensa em geral ataques e mais ataques a Bolsonaro – justos, sem dúvida e que merecem ser publicados em sua grande maioria – de pessoas que não tinham a mesma atitude diante dos descalabros cometidos por Lula e sua turma toda. Calavam-se perante o roubo descarado dos cofres públicos; calavam-se mesmo sabendo que aquelas atitudes matavam brasileiros; calavam-se por medo de serem contestados por intelectuais desonestos com argumentos tão eruditos quanto falsos; calavam-se, enfim, mais por covardia do que por ignorância.

Mas de alguns males pode-se extrair algum bem e eu espero, sinceramente, que da praga bolsonarista da qual o Brasil é vítima hoje e que redundou nos milhões de ataques por gente que se calou diante da desgraça petista, possam esses covardes e omissos terem aprendido uma lição: não há governo que mereça nossa indiferença. Todos eles precisam ser vigiados de perto e denunciados com a santa indignação baseada na honestidade.

Se o petismo tivesse causado nesses omissos e covardes a mesma indignação que Bolsonaro causa hoje, talvez Lula nem tivesse chegado ao segundo mandato e Bolsonaro teria desaparecido no meio do baixo clero da Câmara e se contentado com seu esquema de rachadinhas para sempre.

E o Brasil teria sido mais feliz.



Edmilson Siqueira– é jornalista

Comentários
×