Volta dos gabinetes

Preto no Branco 

A Câmara de Divinópolis tenta retomar aos poucos a normalidade na Casa. Primeiro foi a volta de parte dos servidores às atividades. Agora, são os gabinetes dos vereadores que, enfim, reiniciarão os trabalhos. Portaria deve ser publicada na próxima semana e valerá a partir do dia 2 de junho. Um dia após o feriado de aniversário da cidade, os assessores atenderão ao público, porém uma pessoa de cada vez, isso controlado já na portaria, onde haverá também aviso afixado informando as regras para o acesso. Mais uma fila na porta de uma instituição pública. Mais do que nunca, o que se espera é que as medidas de segurança sejam colocadas em prática. Mau exemplo, basta o dos bancos.

Sem prazo 

O que não se tem data ainda é volta das reuniões ordinárias. Pelo que circula nos corredores do Legislativo, somente quando a pandemia do coronavíris cessar. Até lá, tudo que precisar ser discutido no Plenário será por meio das extraordinárias. E não têm sido poucas desde que a disseminação dos vírus ficou incontrolável, claro que em bem menor proporção do que as habituais. Quer saber? Voltar agora também para quê?  Para servir de palanque eleitoral aproveitando o momento? Se antes os debates eram praticamente uma campanha eleitoral, imagine agora. 

Economiza em tudo 

O adiamento da volta das ordinárias significa uma economia dupla. Nos gastos normais em dia de reunião, como energia, material de gabinete e lanche. Mas, também, poupa principalmente os ouvidos da população, que não aguenta mais chiliques, desabafos pessoais, críticas a Deus e o mundo, e, não poderia faltar, os egos elevados. É um tal de: “eu indiquei”, “eu denunciei”, “eu reivindiquei”, “eu fui o mais votado” e por aí vai. Sem falar da falta de diálogo entre os colegas de bancada que prejudica o andamento da Casa e da cidade, e os bate-bocas que não interessam a ninguém, apenas a eles próprios. E pior: não ligam o desconfiômetro, a cada reunião, a coisa só piora e desce o nível. 

 Pode piorar 

A atual legislatura da Câmara, considerada por muitos a pior das últimas décadas, deve ter essa avaliação ainda piorada em 2020. Primeiro devido a atuações em anos anteriores, em que nada se viu, a não ser pedidos de CPIs, um atrás do outro, denúncias aos montes no Ministério Público (MP)  e falta de harmonia com o Executivo. Situação que deixou aquém a produtividade e gerou enorme desconfiança nos atuais representantes do povo. Para piorar, veio a pandemia do coronavírus que limitou e muito as atuações dos vereadores. Pelo menos na Casa poderia resultar em uma pequena melhoria para a população, mas nas redes sociais a politicagem está rolando solta. Quem participa de alguns grupos de WhatsApp na cidade diz que, quando vê que é um político, ou passa direto ou apaga. Reclamação que pode servir de termômetro nem só para os atuais que ocupam cargos, mas para possíveis candidatos. “Tudo demais é sobra”, diz este ditado. Moderem-se nas aparições e nas propagandas extemporâneas ou o grande objetivo pode ter o resultado inverso. Não tem ninguém tão bobo assim mais.

Seis por meia dúzia? 

É o que parece quando se lê em um dos artigos do decreto da Prefeitura que entrou em vigor nesta segunda-feira.  O trecho diz que o horário de funcionamento do comércio muda das 9h às 18h para 10h às 20h. Só alterou os horários? Não é bem isso. Esta mudança pode significar uma redução drástica na aglomeração de pessoas nos pontos de ônibus e possibilitar que eles circulem conforme norma vigente, com todos os passageiros sentados. Isso porque os trabalhadores da indústria não se encontrarão com os do comércio nos horários de pico. Vai dar certo? Ainda não se sabe, mas é uma iniciativa interessante. Para os críticos de plantão, esperem funcionar e guardem a coceira da língua para vocês. 

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