Vereador defende tratamento precoce contra a covid e sugere uso em Divinópolis

Mesmo sem comprovação científica, parlamentar afirma que seu pai, com suspeita da doença, está tomando a medicação

Bruno Bueno

A 17º Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Divinópolis, ocorrida na tarde desta quinta, 6, teve como tema, mais uma vez, a pandemia de covid-19. Entre debates sobre o comércio, número de leitos, mortes diárias, hospitais e outros assuntos, uma fala específica chamou atenção e repercutiu nas redes sociais.

Se trata do vereador Eduardo Azevedo (PSC), irmão do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), que, em seu momento na tribuna, defendeu o uso do tratamento precoce contra o coronavírus e sugeriu a prática em Divinópolis. A terapia, que é defendida com frequência pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), consiste no uso de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina e outros, todos sem comprovação científica contra a doença.

— Os números não mentem. Isso comprova que isso é verdade. Por que Divinópolis trava uma resistência contra o tratamento precoce? Nós temos dados empíricos que comprovam isso. Mais de dois mil pacientes já foram salvos aqui na nossa cidade, sem nenhum óbito — disse.

Voluntária

O parlamentar enfatizou que a decisão é voluntária e sugeriu o uso na cidade.

— Se o cidadão pode votar em novembro, eleger os vereadores e o prefeito, por que ele não pode escolher entre o tratamento precoce ou a vacina? É uma decisão voluntária, ninguém é obrigado a tomar, mas isso salva vidas e seria uma solução para a situação caótica que vivemos em Divinópolis — afirmou.

Eduardo disse que o tratamento precoce é mal visto por ter apoio do presidente.

— O tratamento hoje é uma briga ideológica. Só não aceitam o uso porque é o nosso atual presidente que propõe. Se fosse o Lula, todos já estariam tomando — explicou.

Chapecó

Durante o pronunciamento, o vereador afirmou que a cidade de Chapecó, localizada em Santa Catarina, que teve um colapso no sistema de saúde, fez uso do tratamento precoce e controlou a pandemia. Porém, o município, após o uso de medicamentos sem comprovação científica, atingiu, na data de hoje, 100% de ocupação dos leitos.

Vale ressaltar que 417 das 541 mortes registradas no município em toda a crise sanitária foram na gestão do prefeito João Rodrigues (PSD), que implementa o tratamento desde o começo do ano.

A fonte dessa informação pode ser acessada no boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Chapecó, clicando aqui.

Médicos

Eduardo afirmou que existem médicos na cidade que receitam medicamentos para o tratamento precoce. 

— No Hospital São Judas Tadeu existem pessoas, de forma voluntária, estão tomando os medicamentos e sendo salvas. Os médicos, que usam seu CRM e amam sua profissão, estão receitando e salvando vidas. Parabenizo os doutores Júlio Medeiros, Haroldo, Marcelo Rocha, Maurício, Uendel — afirmou.

Pai

O parlamentar também afirmou que seu pai, José Maria de Azevedo, que está com suspeita de covid desde o último sábado, vem tomando os medicamentos.

— Eu não esperei o resultado. Fui atrás dos médicos e receitaram o tratamento precoce. Depois que ele tomou, ele parou com a febre e com outros sintomas. São duas mil pessoas sem nenhum óbito — afirmou.

Repercussão

Após o término do discurso, foi possível ouvir aplausos e mensagens de vereadores parabenizando Eduardo pela fala. Contudo, a vereadora Lohanna França (CDN), em seu discurso, rebateu algumas afirmações do parlamentar.

— Tratamento precoce não é proibido, porém, não existem muitas evidências que comprovam a eficácia desses medicamentos. Chapecó não zerou as mortes, mas sim, aumentou neste ano. Temos que ter cuidado com o que vemos nas redes sociais. Vamos lutar por vacina, por segurança alimentar, para isso podem contar com meu apoio — comentou.

Nas redes sociais, também foi possível ver mensagens de apoio a fala do vereador.

— Parabéns ao Eduardo! Estou com COVID desde sábado e no primeiro dia estava destruído. Comecei a tomar a fazer o tratamento precoce e graças a ele melhorei 90%. Temos que implantar isso em nossa cidade — disse um internauta.

 

 

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