Vereador aponta ‘picuinhas’ como dificuldade para solução de buracos nas vias da cidade

Maria Tereza Oliveira

Os buracos nas vias divinopolitanas já se tornaram parte da paisagem. Apesar de sempre estarem presentes no cenário, as crateras se tornaram mais comuns desde o fim de 2019, assim como as reclamações à Prefeitura, principalmente de motoristas e vereadores. Na reunião da última quinta-feira, 12, até o líder do Governo na Câmara, Eduardo Print Jr. (SD) criticou a situação e disse que há “picuinhas” entre as Secretarias Municipais que atrapalham a resolução do problema.

União

Na Tribuna, Print não poupou críticas à suposta falta de união entre as secretarias no modo de lidar com o recapeamento.

— Tem secretário que diz “amanhã eu resolvo”, mas não sai do papel. Nós não estamos em condição de ter “ciúmes” no secretariado, pelo amor de Deus. Vamos resolver o problema do nosso povo. Ciúmes não! Ficam com o discurso de que a secretaria A pode fazer, a B não faz, eu não faço porque é da B, a C não faz... Gente, a população está sofrendo! Quantos pneus não foram estourados em Divinópolis por causa de buracos? — questionou.

Apesar das reclamações, Print defendeu o diretor de serviços e operações da Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur), Rodrigo Assis.

— Ele não faz milagres, ele não é a “fadinha” ou o Peter Pan. Ele [Rodrigo] não vai dar conta do serviço com apenas duas equipes. São quatro caminhões de massa de manhã e quatro à tarde. Apenas oito caminhões! Pela quantidade de buracos, se for fazer as contas, são dois caminhões por quarteirão e a cidade inteira está esburacada — contou.

O vereador ainda salientou que as secretarias são da população e é necessário que elas trabalhem em prol dela.

— É hora de pedir ajuda à Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Segurança Pública (Settrans). Ela não cuida do trânsito? O trânsito é o quê? São as ruas da nossa cidade. Isso tem de ser monitorado e, se ela [Settrans] hoje tem um dinheiro em caixa que pode ser gasto para fazer operação tapa-buracos com uma empresa terceirizada, tem de fazer. Não tem de haver ciúmes ou picuinhas internas de que “quem faz isso é a secretaria x”. Não tem minha secretaria, a secretaria é do povo. É ele que sofre do modo geral — apontou.

O parlamentar ainda afirmou que a Câmara precisa fazer uma licitação emergencial, como foi feita com as máquinas para a zona rural, para tapar os buracos.

— Nós já fomos provados e todo mundo está vendo que em uma semana de sol nada foi feito. Não é que não estejam trabalhando, porque temos de defender esta equipe [da Semsur], mas são milhares de buracos e o serviço deles não rende. Eles precisam da ajuda de uma empresa terceirizada. Contratando a empresa, o recapeamento será feito rápido e tapamos os buracos de uma vez — projetou.

Povo no prejuízo

Ao Agora, Print exemplificou que as secretarias precisam se unir em prol de uma operação emergencial para tapar os buracos e fazer o patrolamento dos trechos sem infraestrutura.

— Mas o que acontece é que, em vez da união, a Semsur tem maquinário que não pode ajudar a Secretaria Municipal de Agronegócios (Semag); que, por sua vez, tem um trator roçadeira que não pode ser utilizado pela Semsur; a Settrans tem um fundo que pode ser utilizado para tapar buracos a Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), no entanto, a Semsur não aceita ajuda por entender que não é função da Settrans e por aí vai — revelou.

Prefeitura

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura. Por meio de sua assessoria de comunicação, a Administração foi sucinta ao afirmar que não se pronunciaria sobre o assunto.

Alternativas

Em janeiro, o Município foi autorizado a pegar o empréstimo de R$ 40 milhões. A proposta já havia sido aprovada em setembro de 2019, por meio do Projeto de Lei Ordinária do Executivo (Plem) 047/2019, porém, teve de voltar a Plenário dividida em duas – Plem 01/2020 e Plem 02/2020 –, pois a Prefeitura não conseguiu viabilizar o empréstimo apenas com uma instituição financeira, como previsto no projeto de lei. Desta vez, os parlamentares aprovaram a contratação de R$ 15 milhões com o Banco do Brasil e R$ 25 milhões com a Caixa Econômica Federal.

De acordo com a proposta, a Prefeitura investirá R$ 27 milhões em pavimentação, recomposição de pavimentos, calçamentos, drenagem pluvial, recuperação e canalização de córregos, recuperação de estruturas em pontes e viadutos. Os bairros Grajaú, São Simão, Terra Azul e Costa Azul serão beneficiados com pavimentação, recomposição de pavimentos, calçamentos e drenagem pluvial. Já o bairro Jardinópolis receberá a interligação da rede de esgoto até próximo ao Divinópolis Clube. Outros R$ 11 milhões serão utilizados para a construção do complexo rodoviário que ligará os bairros Maria Peçanha e Realengo, além do composto de uma ponte sobre o rio Itapecerica, a pavimentação de vias, drenagem e iluminação pública. O Executivo investirá ainda R$ 2 milhões para as obras de construção e conclusão do primeiro pavimento da segunda etapa da sede administrativa da Prefeitura, na avenida Paraná.

Além dele, o Projeto de Lei (PL) ,que trata sobre o serviço de pavimentação asfáltica e o serviço de tapa buraco, manutenção, reparo e recuperação asfáltica, foi aprovado em 6 de fevereiro.

Andamento

Ao Agora a Prefeitura explicou que na próxima sexta-feira, 20, a partir 13h, no Centro Administrativo, será realizada a licitação para escolha da empresa que vai executar as obras no município.

— O empreendimento é uma iniciativa da Administração, por meio da Secretaria Municipal de Fiscalização de Obras Públicas e Planejamento (Semfop) e terá um investimento inicial de R$ 14 milhões — explicou.

A primeira etapa vai contemplar 18 trechos que cortam 20 bairros pertencentes à mesma extensão. As ruas Embaúbas, Vicente Valério, 21 de Abril, Mendes Mourão, Cambuquira, do Cobre, Do Bronze, Professor Francisco Dias, Guaraci, Tiradentes, E, Iraque, Rinaldo Passos, Ibirité, Guapé, Praça Eliseu Zica, além de várias ruas dos bairros Tietê, Icaraí, Nossa Senhora Das Graças, Comunidade do Buritis e o acesso ao Getsêmani receberão melhorias nas áreas de drenagem pluvial, pavimentação poliédrica, pavimentação asfáltica e recapeamento a base de CBUQ.

Os critérios para escolha das vias levaram em conta o fluxo de veículos no local, a necessidade de melhorias em alguns bairros e, principalmente, nas linhas de transporte coletivo.

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