Vacina pentavalente deve estar disponível na próxima semana

Matheus Augusto

Virou rotina na Câmara a denúncia de problemas enfrentados pela Saúde em Divinópolis. Após a exposição da falta de medicamentos na Farmácia Central, conhecida como Farmacinha, feita pelo vereador Dr. Delano (MDB), agora foi a vez das unidades de saúde. Em seu discurso ontem na Casa Legislativa, Josafá Anderson (Cidadania) declarou que os postos estão sem a vacina pentavalente. O medicamento, distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), protege crianças de dois, quatro e seis meses de idade contra cinco doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite. As informações são do Ministério da Saúde.

— Eu vejo que esse governo federal está se caracterizando como “um governo tesoura”. Só cortam onde não pode cortar. Saúde não é área para se cortar. (...) Na Farmacinha está faltando remédio. O governo estadual não repassa dinheiro. A gente vê como absurdo estar faltando também vacina pentavalente, obrigação do governo federal, que não está enviando. Está cortada também — declarou.

Josafá ressaltou que é fundamental a disponibilidade da vacina das unidades, pois a imunização é inacessível para muitas crianças.

— Uma vacina pentavalente, em unidades particulares, gira em torno de R$ 240, valor que pesa para uma família carente — destacou.

Por fim, o vereador ainda informou que buscará, junto ao secretário de Saúde (Semusa), Amarildo Sousa, um estudo de alternativas para regularizar a vacina e os demais medicamentos em falta na cidade.

O Agora entrou em contato com a Prefeitura, que confirmou a situação. Porém, segundo a assessoria de comunicação, o estoque da vacina deve ser normalizado na próxima semana.

— O Estado mandou [as vacinas] hoje. Até quarta-feira estarão disponíveis nas unidades — afirmou.

A Prefeitura ainda confirmou que o medicamento é de responsabilidade do governo federal, que faz o envio para o Estado e, posteriormente, é repassado ao Município.

Nacional

A possibilidade da falta de abastecimento da vacina pentavalente já havia sido anunciada pelo Ministério da Saúde em setembro.

— O Ministério da Saúde informa que a vacina pentavalente adquirida por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) foi reprovada em teste de qualidade feitos pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — explicou.

Na época, o ministério também sinalizou que a expectativa era de reabastecer o estoque da vacina neste mês.

— Quando os estoques forem normalizados, o Sistema Único de Saúde fará uma busca ativa pelas crianças que completaram dois, quatro ou seis meses de idade entre os meses de agosto e novembro para vaciná-las — informou.

Farmacinha

Como noticiado pelo Agora na edição desta quarta-feira, 6, a Farmacinha também vive uma situação delicada. Isso porque, assim como a vacina pentavalente, diversos medicamentos que deveriam ser enviados a Divinópolis pela União e o Estado estão em falta. A situação, apresentada na Câmara na quinta-feira, 31, foi confirmada pela Prefeitura.

— Estamos com cerca de 20% de falta de medicamentos. (...) No caso da insulina Glargina, o Estado só repassou 42% dos frascos referentes ao mês de outubro. Temos problemas também com fornecedores que pediram descredenciamento, e há atraso no repasse da contrapartida financeira do Estado— afirmou.

Ainda segundo a Prefeitura, os órgãos não comunicaram nenhuma previsão para repor os medicamentos. Além disso, diante da situação delicada, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) se vê sem alternativas. Segundo a pasta, a opção seria fazer licitações para obter os remédios em falta. Porém, o processo demora, em média, 90 dias e, neste período, o estoque poderia ser reposto pelo Estado e a União.

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