The sandwichland*

CREPÚSCULO DA LEI – ANO III – CXLX

 

THE SANDWICHLAND*

Difícil dizer o que incomoda mais, se a inteligência ostensiva ou a burrice extravagante.” A frase é do escritor Sérgio Porto valendo-se do pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, escritor atuante nas décadas da ditadura iniciada em 1964. Foi ele quem inventou o famoso Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País, numa alusão às imbecilidades circundantes às práticas políticas da época, alinhadas devidamente com desarranjo governamental.

Ao que parece, o Febeapá está em sua segunda edição e dentro deste novo Festival de Besteiras II criou-se ainda o PBI - Programa Bozó de Ignorância, específico para políticas regionais. 

Ora, somente pelo Febeapá II e pelo PBI que se pode entender uma lanchonete do tipo “mac” sendo mais válida e importante para uma cidade do que quatro ou cinco indústrias buscando – outras se instalando – em cidades vizinhas.

Conferindo histeria ao espetáculo fast food, eis que se apresentam às redes sociais, bem alegoricamente, administradores municipais imagéticos engolindo o coitado do pseudo-sanduíche, bem lembrando o quadro de “Saturno” devorando seus filhos, de Francisco Goya (1819).

Tão imagéticas quanto famélicas é o quadro das políticas locais, ostentando  festa em demasia para uma futilidade que só aumenta o famigerado “complexo de vira-latas” pátrio. Ora, nem só de pão, muito menos de “mac” sanduíche vive o homem. Acaso sobram festas para se falar no retorno do Restaurante Popular?

Sim, havia um Restaurante Popular em Divinópolis no período 2008 (Demetrius Pereira) até 2014 (Wladimir Azevedo) funcionando à rua São Paulo, 07 – em frente ao antigo Pronto-Socorro, Centro.

Era um verdadeiro monumento ao compromisso das políticas sociais, bem representado pelas 1.600 refeições diárias a preços populares, envolvendo o honroso trabalho de funcionários supervisionados por nutricionistas. Nada de fast food, mas refeições balanceadas e de qualidade que democratizavam harmoniosamente o grande grupo de assíduos frequentadores.

A Prefeitura atuava com subsídios junto aos custos e a refeição figurava na ordem de dois reais até a época do fechamento, valor justo e pago por cadastrados, aposentados, assistidos do programa bolsa-família e crianças em estado de vulnerabilidade, onde a comida podia chegar a um real (!). Além disso, todas as tardes às 16h30 eram servidas disputadas sopas. Segundo dados disponíveis, projeta-se que o Restaurante Popular tenha servido quase 2.500.000 (dois milhões e quinhentos mil) refeições até seu fechamento.

Bons tempos. Pela volta do Restaurante Popular.

(*) Dedicado às irmãs Edna e Renê.

 

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