Substituto

Israel Leocádio 

Olá! Dar mais atenção para as coisas que acontecem ao nosso redor poderia mudar nosso estado de humor, transformar nosso dia. Na realidade, é preciso prestar mais atenção na própria vida! A distração é a oportunidade que oferecemos para que o melhor não aconteça ou a oportunidade seja perdida para desfrutar do melhor. Distraídos, perdemos chances, oportunidades, perdemos a própria vida. Num lance, algo se perdeu! E não há sorte, se desprezo a oportunidade.

Partindo desse pensamento, quero falar sobre “aproveitar oportunidades” e “perder oportunidades”. Penso que perdemos oportunidades recuperáveis e oportunidades irrecuperáveis.

Conta-se que, em certo lugar (na era medieval), houve uma guerra. Todos os homens eram automaticamente inscritos para defender a nação. Era uma obrigação bem aceita pelos habitantes locais, por se tratar de lutar pelo futuro. Tal gesto soava como moralmente correto. Contudo, nesse país em questão, o homem poderia abster-se dessa obrigação, caso se comprometesse a trabalhar no campo para enviar suprimentos para os soldados no front. Quem assim desejasse assinava um “documento de substituição”, em que alguém lutaria por ele, enquanto trabalhava para o sustento da tropa.

Ciente da lei, certo lavrador (homem simples e de família pequena) percebeu a oportunidade de manter-se vivo e permanecer ao lado de sua família. Tão logo foi abordado, assinou o documento de substituição, deixando que outro lutasse em seu lugar. A partir daquele momento, o lavrador iria trabalhar dobrado até o fim da guerra. Porém, algo ocorreu depois de alguns meses. Soldados representantes do Estado apareceram em sua casa. Traziam um documento que dizia que o substituto daquele lavrador havia morrido em batalha e que agora o Estado o convocava para a guerra. O lavrador ficou atordoado, andou de um lado para outro, não podia deixar seus pequenos filhos e a esposa. Foi então que correu até um canto da casa simples, pegou o documento que assinara anteriormente, mostrou aos oficiais, dizendo: ‘não posso ir, porque estou morto!’ Os oficiais perguntaram: ‘Como estás morto? Podemos vê-lo!’ Então, o lavrador pediu para que lessem o documento de substituição, que dizia: ‘em caso de morte do soldado substituto, morre com ele a obrigação de que o dono deste documento lute. Visto que morreu junto ao soldado’. O simples lavrador foi salvo pela morte de outro!

Essa história não deve ser desprezada. Porque ela é a história de milhares de homens e mulheres ao longo de séculos. Pessoas que encontraram em um homem de Nazaré a oportunidade que necessitavam para salvar suas vidas. Tão logo percebendo a oportunidade, muitos são os que aceitam o Substituto.

O documento assinado por muitos apresenta os seguintes termos: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53.4-6).

Sou como o fazendeiro: Confiei no documento e o assinei com o coração. Hoje sei que não posso morrer, porque o Substituto morreu em meu lugar. Não sei se é justo. Contudo, sei que foi o próprio Substituto quem tomou a decisão de morrer no meu lugar. Como homem grato, sei o nome do Valente Soldado que me substituiu: Jesus de Nazaré é seu nome. A Ele toda honra!

 

Israel Leocádio

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