Sindicatos da Educação vão às ruas protestar contra reforma da Previdência

Maria Tereza Oliveira

A educação estadual e a municipal se unem amanhã em uma paralisação contra a reforma da Previdência. O ato foi convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e em Divinópolis foi aderido pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute), assim como o Sindicato de Trabalhadores da Rede Municipal de Educação de Divinópolis (Sintemmd), que chamaram as escolas – estaduais e municipais – e universidades para participarem do ato. Além dos sindicatos da educação, o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) afirmou que vai apoiar o movimento.

O ato é nacional e tem como intuito mostrar a resistência da categoria em relação às mudanças propostas com a reforma para os trabalhadores da educação.

A reforma da Previdência causou polêmica desde que foi proposta pela primeira vez, ainda no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) em 2017. Foram realizadas várias manifestações contrárias à proposta e com o tempo, embora permanecesse como um fantasma, ficou esquecida pela população. Até que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) reacendeu as discussões ao propor uma reforma ainda mais severa.

As manifestações, panfletagens, atos e assembleias são para mostrar o posicionamento contrário dos servidores em relação à proposta.

Paralisação

A coordenadora adjunta de Políticas Sociais do Sind-Ute, Maria Catarina Laborê, informou que durante todo o dia de amanhã irão visitar as escolas e panfletar sobre a importância de se conscientizar sobre o que a reforma significa para os trabalhadores.

O diretor de comunicação do Sintemmd, Gleidson Rogério de Araújo, contou que as escolas municipais foram convocadas pelo sindicato e que várias já haviam confirmado a participação.

— É indispensável manter todos os direitos para nós, trabalhadores, sobretudo para Minas, que é tradicionalmente conhecida por investir na educação — salientou Gleidson.

Maria Catarina explicou que a luta contra o que ela chamou de desmanche da aposentadoria precisa ser de todos e que o principal objetivo da paralisação de amanhã é panfletar.

A concentração para a manifestação acontece no quarteirão fechado na rua São Paulo, a partir das 15h30.

Pontos polêmicos da reforma

Dentre as principais insatisfações do texto da reforma, destaca-se a obrigatoriedade da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para mulheres.

Além disso, o aumento do tempo de contribuição, de 15 para 20 anos, e o fim das condições especiais para trabalhadores rurais e professores terem direito ao benefício também não agradaram a população.

Para o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, a reforma da Previdência irá continuar aquilo que foi iniciado com a reforma trabalhista, feita no Governo Temer. 

De acordo com um a CUT, a reforma da Previdência, se aprovada, impacta inclusive nas regras de proteção previdenciárias.

Atualmente, se um trabalhador se afasta do emprego por doença, acidente ou gravidez, recebe um auxílio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

— Com a reforma e o regime de capitalização, as pessoas podem ter de contratar um seguro particular no banco para ter acesso ao benefício, podem receber valores menores de auxílio ou até ter esse valor descontado da própria poupança destinada à aposentadoria, como prevê o regime de capitalização — salientou a técnica da subseção do Dieese da CUT, Adriana Marcolino.

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