Queda anunciada

 

Consumado o desastre, com o Cruzeiro caindo pela primeira vez para a Série B, a hora é de toda a família estrelada colocar a cabeça no travesseiro, analisar os prós e contras de tudo que foi feito e tratar de arrumar a casa, evitando cometer no futuro os inúmeros erros desta temporada.

E nem adianta a turma do “não me toque” tirar o corpo fora e jogar a culpa em determinados setores do clube. Na triste trajetória de 2019, que manchou de vez a quase centenária história do Cruzeiro, muitos foram os desmandos e a hora é de rever tudo que foi realizado no ano, punindo a quem se deva punir e valorizando o pouco que ainda restou a se valorizar. 

Culpados 

São tantos os erros cometidos em 2019 que, no fritar dos ovos, nada de bom pode ser aproveitado. Começando pela presidência e terminando no mais simples dos funcionários, todos contribuíram para o desastre e não há como salvar ninguém. Mas o certo é que alguns entrarão para a história como os maiores vilões, e disso não há como fugirem. 

Omissão 

O primeiro culpado é mesmo o presidente Wagner Pires de Sá, que se comportou e ainda age como a “Rainha da Inglaterra”, delegando poderes a outros e tirando o corpo fora. Ora bolas, o regime do clube celeste é presidencialista e ele tinha que ter uma noção exata de tudo que ocorria no clube. Falar agora que não sabia que a situação era assim tão crítica é brincar com o amor e o coração da China Azul.

Ele pisou feio na bola e foi desde o início de seu mandato, colocando para comandar o Cruzeiro pessoas sem nenhuma capacidade, que acabaram por contribuir para levar o time para o buraco. Ao delegar poderes supremos a Itair Machado e Serginho Nonato, Pires antecipou seu atestado de óbito e entregou o clube a uma dupla de incompetentes, para não acusá-los de algo bem pior. 

Serginho 

Desde quando começou a trabalhar na sede administrativa da Raposa, primeiro como gerente de comunicação e depois alçando cargos mais altos, Serginho mostrou que queria mesmo era afundar o Cruzeiro na lama. Sua briga com o ex-supervisor da multicampeã equipe de atletismo do clube, Alexandre Minardi, já mostrava que para o que veio o dirigente, sendo o que menos importante para ele era o próprio Cruzeiro. Queria era salvar o seu milionário salário mensal, ganho às custas do sofrimento da torcida. 

Itair Machado 

Deste era preferível nem falar, só para não ter que escrever seu nome. Mas fazer o quê? Pelo menos por agora deixa ele usufruir da fama que merece, como um dos principais responsáveis pela derrocada azul. Foram tantos os desmandos cometidos pelo diretor que é impossível enumerá-los um a um. Faltaria espaço. O que ele tem que fazer agora é sumir no mapa e devolver tudo que roubou do clube e de sua torcida, a começar pelo amor próprio. 

Treinadores 

Dos quatro treinadores que estiveram à frente do time no Campeonato Brasileiro, não há como culpar Rogério Ceni, Abel Braga e Adilson Batista. Eles pegaram o time já no fundo do poço e não tinha como fazerem milagres. Pegaram o barco andando e não dava mesmo para consertar, duma hora para outra, todas as burradas cometidas pelo Mano Menezes, este, sim, o pai de toda a tragédia.

E, além de burro, Mano se mostrou um grande covarde, tirando o corpo fora quando o barco já vazava água por todos os lados. 

Fim dos ídolos 

A se lamentar em toda esta tragédia é o triste fim de antigos ídolos da China Azul. Carregados centenas de vezes nos ombros dos torcedores, Thiago Neves e o artilheiro Fred entraram em desgraça com todos e agora devem sair da Toca pela portas dos fundos, num triste fim para quem tanta alegria já proporcionou a muitos. 

Centenário 

E agora, o que fazer? Não há tempo nem para lamentações, o negócio é juntar os cacos e arrumar a casa, porque já no dia 2 de janeiro de 2021 o Cruzeiro completará 100 anos, e entrar em seu centenário na Série B seria o fim da picada. O fim de todos os sonhos.

José Carlos de Oliveira
jcqueroviver@hotmail.com.br

Comentários
×