Quando a comunicação falha

Bob Clementino 

O deputado federal Domingos Sávio (PSDB) é um político que tem sido parceiro de Divinópolis desde quando era deputado estadual. Agora, cumprindo seu terceiro mandato na Câmara Federal, continua sendo fundamental nas buscas por soluções para as demandas do município. Assim, a votação que obteve aqui em 2018 – apenas 3.973 votos – foi politicamente injusta.

Por quê?

Claro que vários fatores devem ter concorrido para que o deputado tucano tivesse essa votação inexpressiva em Divinópolis. Mas não há como negar que uma das causas desse resultado decorreu de falha na comunicação com eleitores. Senão, vejamos: em 2010, Domingos Sávio obteve em Divinópolis 29.494 votos; em 2014, 17.670. Ou seja: em quatro anos, o deputado perdeu 12.924 votos na cidade. Essa tão forte queda na votação, seguramente, acendeu a luz amarela dentro da assessoria do parlamentar. Afinal, o que houve? Qual a justificativa que a comunicação deu ao seu deputado? Imaginava-se que haveria uma mudança na assessoria. Como não veio, os erros de avaliação persistiram e, em 2018, veio o xeque-mate: 3.973 votos. Se usarmos como base de referência o ano de 2010, escaparam de Domingos Sávio, em 18 anos, 25.521 votos. Isso significa uma perda, por ano, de mais ou menos 1.418 votos. Muitos votos!

Falha de comunicação

Faltou atenção aos sinais que os eleitores enviaram ao deputado Domingos Sávio, nestes 18 anos. E essa percepção teria que ser, primeiramente, dos assessores, já que o deputado se tornou presidente estadual do PSDB e isso tirou seu foco de Divinópolis. A nova função estadual foi estratégica para consolidar o nome de Domingos como um político importante nacionalmente, mas também lhe custou alto preço eleitoral, como mostrado acima. Cabia à sua comunicação alertá-lo sobre os riscos que corria ao estar mais distante dos eleitores divinopolitanos. Caso o alerta tenha sido dado e o deputado não o tenha acatado, também o erro continua com as assessorias: assessor que não é ouvido pelo político que assessora deve renunciar ao cargo, sob pena de submergir política e profissionalmente com o assessorado. Parece que é o que aconteceu no caso em tela.

Agora mudou!

Acho importante que a relação entre Divinópolis e Domingos Sávio se restabeleça e que isso se traduza em muitos votos. Da parte do deputado, ele não se deixou levar pela mágoa e continua sendo o mesmo eficiente parceiro do município. Mas, agora em 2020, entendeu que é hora de promover algumas mudanças na estrutura da equipe, que tem como principal função cuidar da comunicação do mandato em redes

sociais. Via WhatsApp,  Domingos explicou as razões da mudança: “como a comunicação por mídia digital e redes sociais é universal e muito dinâmica, percebemos a necessidade de promover mudanças nesta área e a principal delas seria a de que o coordenador deste trabalho deveria prestar serviço de forma presencial no escritório de BH (onde se concentra a maior parte de minha equipe na área) e diariamente estar em contato direto com toda a minha equipe e me acompanhar em eventos ou reuniões importantes, dando informações em tempo real e até mesmo com a produção de lives e outras ações instantâneas. Percebemos, desta forma, que a contratação de alguém com residência em BH, com toda esta disponibilidade e tendo formação profissional na área, atenderia melhor ao mandato”, finalizou.

Chamem os chineses

Após dez dias de obras, a agência estatal Xinhua informou que a construção de um dos dois hospitais provisórios com 1,6 mil leitos, em Wuhan, na China, terminou em 2 de fevereiro de 2020. Aqui em Divinópolis, o Hospital Público Regional – que começou a ser construído em 2010 – entra governo e sai governo e a sua finalização não acontece, embora esteja com 80% da estrutura pronta. Falta, aos prefeitos, deputados e vereadores representantes das 54 cidades da macrorregião, força política ou eficiência para convencer o governador Romeu Zema (Novo) a terminar e colocá-lo em funcionamento, já que a obra faz muita falta e alcançará milhares de necessitados na área de Saúde.

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