Preferiu ficar com o candidato do  “outro lado” diz Adair sobre Galileu

 

Maria Tereza Oliveira

O assunto da primeira reunião da Câmara após o pleito de domingo, 7, não poderia ser outro senão as eleições. Teve desabafo do presidente da Casa, que não poupou críticas por não ter tido o apoio do prefeito Galileu Machado (MDB), seu antigo aliado.

 Em suas falas, os vereadores parabenizaram os eleitos por Divinópolis e destacaram a não eleição de grandes nomes da política, como a dos petistas Dilma Rousseff e Fernando Pimentel.

Dentre os quatro candidatos da Casa, apenas Cleitinho Azevedo (PPS), conseguiu se eleger deputado estadual. Adair Otaviano (MDB), Eduardo Print Jr. (SD) e Sargento Elton (Patriota) foram os outros vereadores que se candidataram aos cargos de deputado estadual e federal.

O Agora entrevistou os três não eleitos que fizeram balanço de suas campanhas, falaram sobre os trabalhos como vereadores e os próximos passos.

Sem apoio

Nenhum entre os três candidatos teve apoio financeiro dos partidos.

O presidente da Câmara se candidatou pela 1ª vez a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ele tem cinco mandatos como vereador e afirmou que embora não tenha saído vitorioso, tudo serve como aprendizado.

— Nós tínhamos seis candidatos a deputado estadual na cidade e eu fui o 3º mais votado. Então eu tive o apoio de quase sete mil divinopolitanos. Se eu tivesse tido apoio do meu partido, teria sido eleito. Mas infelizmente preferiram não dar apoio a minha campanha e ficaram com o candidato do “outro lado”, além de ter entregado na mão do outro candidato três secretarias: Esporte, Saúde e Promoção humana, me deixaram — explicou.

Eduardo Print se candidatou a deputado estadual e afirmou que não recebeu apoio do partido e nem fundo partidário.

— O fundo partidário na verdade é uma fraude. Ele foi criado para salvar os candidatos eleitos. Só recebeu dinheiro quem estava tentando a reeleição. O fundo é bilionário na cifra um, depois que ele é repassado para todos os candidatos, a quantia que sobra é irrisória — revelou.

Sargento Elton foi candidato a deputado federal e, embora tenha recebido uma votação expressiva, não foi o suficiente para elegê-lo. Ao contrário dos outros candidatos, Sargento afirmou que foi ele quem abriu mão do fundo partidário.

— Eu acho imoral pegar dinheiro público, pago pelo povo, para fazer campanha política. Isso vai contra meus princípios, então fiz com meu salário de vereador e de policial. Preferi conversar com as pessoas e apresentar minhas propostas do que espalhar santinhos — apontou.

Trabalho na Câmara

Questionado se agora faria oposição ao prefeito Galileu Machado (MDB), Adair afirma que a partir de agora será independente.

— Eu agora vou votar apenas os projetos que forem bons para a cidade. E quando chegar algum projeto do Executivo que eu não achar benéfico para a população, vou votar contra, mesmo eu sendo do partido do prefeito Galileu — revelou.

Print contou que continuará trabalhando na Câmara criando leis e fiscalizando o Executivo.

— Vou continuar com todo empenho e dedicação para melhorar a cidade — prometeu.

Sargento Elton afirmou que vai continuar desempenhando seu trabalho e acha que a responsabilidade aumentou, pela quantidade de votos que recebeu.

— A cobrança não me incomoda porque eu sempre faço o meu papel e de maneira digna, mas gostaria de agradecer quem acreditou em minhas propostas e vou honrar a todos — prometeu.

Eleições atípicas

Praticamente todos os vereadores falaram sobre a onda das redes sociais nas campanhas deste ano.

Adair analisa que sua campanha foi mais “tradicional” e, talvez por não ter usado muito a internet, tenha perdido alguns votos.

— Nós trabalhamos muito com santinhos, eu ainda sou daqueles que gosta de sentar na porta de casa e ler um jornal. Mas a era está mudada. A gente trabalhou um pouco as redes sociais, mas ainda não a dominamos. Talvez tenha faltado mostrar mais do meu trabalho nas redes sociais. O que eu já fiz nos meus cinco mandatos e etc — ponderou.

Print disse que as eleições criaram um novo formato de eleitores.

— O eleitor das redes sociais é novo e quem não se adaptou às redes sociais sofreu com isto. Mais do que ter pessoas panfletando, os próximos pleitos devem ser decididos com ajuda das redes. A panfletagem vem se deteriorando, a galera joga fora os “santinhos”. Não tivemos muitos recursos financeiros, mas foi tranquilo — esclareceu.

Sargento Elton apostou nas redes sociais e, embora seu partido tivesse um candidato a Presidência — Cabo Daciolo —, o vereador apoiou Jair Bolsonaro (PSL), candidato mais popular e usou isso em sua campanha.

— Nós temos de extinguir a forma antiga de fazer política. As pessoas estão mais atentas e acompanham mais seus representantes e é assim que deve ser. Então as redes sociais hoje têm papel importante em qualquer campanha política e levar às pessoas nossas propostas — revelou.

Futuras candidaturas

Sobre seu futuro, Adair afirmou que quer continuar disputando um cargo público nas próximas eleições, mas, no entanto não sabe se será como vereador ou prefeito.

— A disputa a vaga de deputado estadual também é uma possibilidade. Quem sabe não consigo transformar sete mil votos em 50 mil? — especulou.

Sargento Elton afirmou que ainda está cedo para pensar nas próximas eleições, tanto municipais, quanto federais.

— Vou fazer meu trabalho e se a população quiser que eu me candidate, assim eu farei, mas por enquanto vou focar no meu trabalho na Câmara — explicou.

Print disse que tem vontade de se candidatar nas próximas eleições, embora ainda não saiba se com uma reeleição ou ao cargo de prefeito.

— Quem vai decidir é a população. Se o povo entender que está na hora de eu deixar de ser um homem público, assim eu farei, mas se me quiserem no papel do Executivo, estou a disposição. Se entender que gosta mais de mim como vereador, eu também estarei presente — afirmou.

Arrependimento?

Os votos do Sargento Elton não foram suficientes para elegê-lo deputado federal, entretanto, a quantia seria suficiente para que ele alcançasse uma vaga na ALMG. Questionado sobre um possível arrependimento, ele reforçou a parceria que fez com Cleitinho.

— Não tenho arrependimento porque eu gostaria de ter ajudado mais a cidade através de emendas parlamentares, através de mudanças de lei no Código Penal. Trazer emendas para nossa região que está carente e eu pensei nisso. Eu fiz juntamente com o Cleitinho, este pacto de lealdade, e ele é uma pessoa integra e merecedora — justificou.

Vale lembrar que a votação recebida pelo Cleitinho seria suficiente para garantir um lugar na Câmara dos deputados.

Rompimento com Galileu

Adair afirmou ter se decepcionado com a falta de apoio do prefeito e conjecturou que talvez o chefe do Executivo tenha visto nele um concorrente.

— Eu nunca fui desleal ao prefeito. Sempre mantive o nome dele vivo aqui dentro. Todavia, com o resultado do pleito, ele acabou criando adversários para as eleições de 2020, pois o Jaiminho Martins (PSD), Fabiano Tolentino (PPS) e Sargento Elton se saíram muito bem neste pleito e podem tentar a prefeitura — finalizou.

Fake news

Print falou sobre o problema das informações falsas que foram protagonistas no último pleito.

— Um boato se espalha de maneira muito rápida. As pessoas muitas vezes compartilham coisas sem nem ao ler o texto por completo. Uma fake news viraliza em três horas e leva três meses para ser desmentida — comparou.

 

 

 

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