Pra sempre roça asfaltada?

 

A falta de planejamento para o crescimento da cidade vem custando caro para Divinópolis. O Plano de Diretor custou muito e resolveu pouco. No fim, não serviu para nada e ainda gerou mais confusão ao possuir um mapa da cidade diferente do que a Prefeitura já tinha. Com isso, a cidade não sabe como, para onde ou de que jeito vai crescer.

Um exemplo claro desta falta de planejamento é a situação vivida pelo setor de entretenimento da cidade. Com zoneamento confuso e que não especificou um ponto para se tornar o polo de lazer do município, vários estabelecimentos estão fechando por não conseguirem conviver em harmonia com o espaço ao redor. Os casos mais recentes são do La Republica, Zuai e agora o Beb’s. O pior é que não se resolve o problema e apenas fazem remendos de lei. A cidade meio que vai sendo tocada ao invés de administrada.

Divinópolis não é uma roça asfaltada, embora se comporte como uma na maior parte do tempo. Não existe visão de futuro, é o presente ruim para um futuro pior. As questões sérias têm de ser discutidas com mais profundidade. Não podemos, por exemplo, matar todo o setor de entretenimento, fazendo da nossa cidade um lugar chato, onde não sobra outra alternativa para o jovem que não seja se esconder nos batidões que ocorrem no meio do mato e, diga-se de passagem, também provocam transtornos. Vide neste caso a situação do bairro Nova Fortaleza, onde uma boate improvisada também está “tocando o terror”.

O sonho de termos um polo industrial não vai ser realizar, pelo menos não tão cedo e, talvez, realmente seja nunca. A região não possui atrativos, é mal servida de estradas e, para piorar, o Estado tem uma política fiscal e de incentivos horrível e nem um pouco competitiva com as dos vizinhos. Quanto à siderurgia, o crescimento da China neste setor fatalmente em algum momento vai “matar” esse segmento. Nossa vocação é o setor de serviços, onde se destacam os da área da saúde e da educação. É muito fácil perceber isso quando observamos quantas universidades presenciais e a distância que hoje já estão em operação e a quantidade de clínicas e laboratórios que atendem diariamente.

Dentro do setor de serviços, estão os de entretenimento e uma cidade feliz e próspera também precisa de lazer. No que diz respeito ao Poder Público, é chover no molhado dizer que precisamos de mais incentivo para cultura e esporte. A desculpa da falta de dinheiro sempre surge para tapar a incompetência dos gestores que sempre vão estar deficitários justamente porque não planejam. Por ser polo regional, Divinópolis é uma ótima opção de entretenimento para todas as cidades vizinhas. O fomento para esta economia gera emprego, renda e arrecadação.

O certo é que em algum lugar as boates e os bares vão ter de funcionar e os shows vão ter de acontecer. Tem de ser uma área acessível e com infraestrutura correta. Como não houve planejamento antes, alguns serão sacrificados e terão de conviver ou se mudar para outro lugar. Não digo que deva ser o Bom Pastor ou a Savassinha, mas isto fatalmente vai acontecer em algum bairro. Os políticos têm é de enfrentar sem medo de perder os votos de um lado ou de outro, não existe unanimidade e “omelete sem quebrar ovos” neste momento. Grandes centros urbanos pelo mundo e até mesmo no Brasil já perceberam que, para resolver um problemão, tiveram que criar um probleminha. A Lapa não para no Rio e em Brasília tem setores específicos para isso. Salve JK, que sabia planejar!

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