Pouco pão e muito circo

Laiz Soares

O prefeito de Divinópolis se coloca em vários papéis. Ele é youtuber, ator, funcionário da Emop responsável pela limpeza da cidade e até animador de auditório. Tudo isso é muito legal, muito bonito e muito válido. São papéis e funções importantíssimas que várias pessoas ocupam e o fazem brilhantemente na sociedade. O problema é que o prefeito foi eleito para fazer tudo, menos isso. Essas não são as suas obrigações nem seus deveres. 

Seria cômico se não fosse trágico. Pessoas morrem todos os dias. O momento é dramático, triste, cruel. É muito mais legal, fácil e divertido fazer acontecer o circo que virou Divinópolis e ser aplaudido por muitos do que enfrentar a dura realidade da gestão da crise que vivemos. O papel de um líder político eleito que assume uma prefeitura não é fazer encenações, muito menos querer resolver do próprio bolso os problemas da cidade, até porque isso só seria possível se ele fosse um milionário, já que resolver a fome para todos que precisam não sai barato, e meio salário dele está muito longe de resolver. É ridículo, patético, vergonhoso e ofende a inteligência de quem gosta de pensar ter que assistir a tudo isso calado enquanto pensa se vai estar vivo, se vai perder alguém que ama, se vai ter dinheiro para pagar o aluguel. 

O pão e circo agora está completo. Só faltava o pão. E ele finalmente veio, da forma mais grotesca e errada, e não da forma como deveria. É muito bonito o gesto de doar metade do salário de um mês, mas atos de caridade são aspectos da vida privada de um cidadão, não são questões públicas que deveriam ser lançadas aos quatro ventos por alguém que tem a responsabilidade de conduzir uma cidade de mais de 200 mil habitantes. Eu perdi as contas de quantas vezes eu falei e defendi que era necessário o desenho de um auxílio emergencial local e um pacote de apoio aos comerciantes. 

A vereadora Lohanna teve essa sensibilidade e fez essa indicação à Prefeitura solicitando providências para a criação urgente por parte da Prefeitura do auxílio emergencial municipal porque ela sabe da importância das políticas públicas. Espero que o prefeito a escute e o faça logo, e que demais vereadores, incluso presidente da Câmara e líder do governo, pressionem por isso, convoquem a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social para prestar contas sobre o uso do orçamento da Assistência Social na cidade. 

Falta o prefeito sentar na mesa com seus secretário para pensar políticas públicas efetivas que de fato vão resolver de forma organizada, estruturada e em escala o problema da fome, da falta de leitos (abrir só mais 20  leitos de UTI é pouco para uma cidade polo em saúde), do descumprimento das medidas sanitárias pela população. O caminho da solução da crise que se espera do prefeito é que ele use seu poder de comunicação para pedir às pessoas que sigam as recomendações da ciência, coisa que quase nunca o vejo fazer. Nunca vi, nem na página dele nem da Prefeitura, um vídeo educativo que ensinasse, por exemplo, a importância do uso da máscara e qual o modo correto de usá-la.  Nunca vi o prefeito usar sua força nas redes sociais para educar a população sobre como proceder na onda roxa. Isso deveria estar sendo feito dia e noite, o tempo todo!

Todos os dias eu recebo reclamações de comerciantes que estão fazendo a sua parte e que não veem fiscalização acontecendo. Não existe onda roxa em Divinópolis. Pessoas sem máscara na rua, aglomerações de todos os tipos no centro e nos bairros, lojas abertas. Quem tem consciência está sendo prejudicado por aqueles que não cumprem seu dever e desrespeitam a lei. O resultado esperado com a diminuição da contaminação não virá e o preço será alto! Cadê uma fiscalização intensa? Por que não contratamos mais fiscais? É uma incompetência total, e estamos pagando com vidas! Todo dia tem três mortes por covid só aqui. O circo está montado e o espetáculo é um show de horror.

 

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