Politica & CIA

Bob Clementino 

Quais vereadores são “bandidos, bandidos, bandidos”? 

Que alguns vereadores entregam seus parceiros de mandatos, leitores que acompanham a coluna já sabem. Houve um deles que até chegou a dizer que “têm vereadores na gaiola do prefeito”. Agora foi a vez de o presidente da Câmara Rodrigo Kaboja fazer declaração grave, ao comentar pelo WhatsApp que tem “vereadores bandidos" na Câmara e ainda bravejou: "Agora é uma guerra: eu contra alguns elementos ali dentro. Vou fazer um vídeo agora chamando-os de bandidos”. Por que desta reação do presidente da Câmara? Eu explico.

Oportunismo político 

O jornal Agora de quinta feira, 15, estampou em manchete “Câmara aproveita momento de caos para se promover”. Tudo porque a Mesa Diretora, neste último ano de mandato, propôs um projeto de lei fixando em um salário mínimo o subsidio dos edis a se elegerem em 2020 em um salario mínimo. Ou seja: R$ 1,045. A população entendeu que a proposta era demagoga, já que os atuais vereadores continuariam a receber os R$ 12 mil brutos até o fim desta legislatura.  Cidadãos ouvidos pelo colunista disseram que os vereadores nestes tempos de sacrifícios, diante da pandemia provocada pelo coronavírus, deveriam então dar também sua cota de sacrifícios, doando parte de seus subsídios e ficando apenas com o equivalente ao salários mínimo. Mas não foi só isso!

Presidente  “P da vida” 

Na minha opinião, ocorreu o seguinte, avisado pelo WhatsApp de que a manchete do jornal Agora seria desfavorável à atitude demagoga da Mesa Diretora de fixar a redução dos subsídios dos edis, apenas para vereadores da legislatura futura, o presidente Kaboja se irritou. E, para complicar mais ainda seu dia, Kaboja tomou conhecimento de uma declaração no Twitter detonando o prefeito e acusando a ele (Kaboja) de hábitos ilícitos, que garante não os ter. Foi a gota d´água e Kaboja reagiu: “Isso aí tem vereadores por trás, é bandido, é bandido! E vai votar (projeto que reduz subsidio) é quinta-feira (hoje), quero ver quem tem peito, qual vereador que tem peito, têm uns ali que são bandidos, bandidos. Eles têm que respeitar minha família, sou gente do bem, sou uma pessoa idosa. Sou uma pessoa mais benfeitora de Divinópolis, viu?! E pode soltar aí (jornal): “tem vereadores bandidos”", desabafa Kaboja.  

 

Pergunta que não quer calar

Quais dos vereadores são bandidos? Os edis vão reagir a esta fala do presidente da Casa Legislativa? A verdade é que, sabendo estarem alguns vereadores desesperados em busca de reeleições e suspeitando de que haverá uma grande renovação na Casa, a Mesa Diretora resolveu tirar da manga essa estratégia para tentar melhorar a imagem dos vereadores, propondo a redução do subsidio. Ora, foi um tiro no pé, já que eleitores não “embarcaram nesta canoa furada” proposta pela Mesa Diretora e pior: essa tentativa de diminuir salários dos vereadores só serviu para reforçar na população a certeza de que eles recebem um salário exageradamente alto para uma cidade cuja Prefeitura está em constante estado de calamidade financeira.

Roda da história girou 

Governadores chegam à dolorosa (para eles) conclusão de que o presidente da República estava certo! Bolsonaro sempre defendeu a flexibilização das medidas de isolamento ou distanciamento social. No entanto, governadores que jogam para a plateia criticaram o presidente, a quem até chamaram de “irresponsável”. Diante da realidade catastrófica da economia de seus Estados causada pelo bloqueio do comércio, governadores começam a liberar o funcionamento de atividades, na tentativa de minimizar os efeitos:

No Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que usou e abusou de oportunismo, também flexibilizou.

"Agripino Doria" também começa a flexibilização em São Paulo. E Agripino chegou a provocar bate-boca virtual com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás, que até “rompeu” com o presidente “em defesa da ciência”, também flexibiliza.

Carlos Moisés (PSL), Santa Catarina, um dos defensores mais radicais do “isolacionismo”, acabou não só cedendo como flexibilizando mais que outros.

 Quem vai pagar as contas?

 

Que o isolamento social horizontal possa ser o recomendável até não duvido, mas ainda não encontrei quem defende este isolamento e explica como mantê-lo financeiramente. 58% dos brasileiros deixaram de pagar ao menos uma conta em abril. Estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que oito a cada 10 dos trabalhadores brasileiros podem perder o emprego ou a renda por causa da pandemia.



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