Oportunismo político

Bob Clementino 

Ano eleitoral é hora do “salve-se quem puder” entre os vereadores que buscarão suas reeleições. Alguns ficaram distantes dos eleitores, como se o mandato fosse eterno. E têm aqueles que sustentaram politicamente a Administração Galileu Machado, em troca de obras para os bairros dos seus eleitores e pelo direito de indicar amigos para cargos comissionados, mas que agora, diante do desgaste do governo municipal, arranjam uma desculpa para pular fora do barco que está afundando. Na disputa eleitoral, não querem seus mandatos associados a um governo que não cumpriu promessas de campanha e que atrasou ou parcelou os salários dos servidores municipais. Mas na eleição é a hora da prestação de contas. Tarde demais!

Kaboja salta fora dos barcos

O atual presidente da Câmara de Divinópolis, Rodrigo Kaboja (PSD), sempre esteve, nesta legislação, na base de apoio do prefeito Galileu Machado (MDB). Porém, faltando alguns meses para eleição, ele rompe com o governo. Kaboja foi eleito pelo PSD, partido sob a influência política do ex-deputado federal Jaiminho Martins. O ex-deputado, segundo declarações do próprio vereador, foi o autor das verbas que permitiram que ele urbanizasse o bairro Jardim Primavera, sua base eleitoral. Temos aqui então saltos de dois barcos, por parte de Kaboja: do barco Galileu e do barco Jaiminho Martins? Por quê? 

Por quê?

Que às vésperas da eleição o vereador Kaboja queira se desvincular politicamente do prefeito, até é compreensível, porque, afinal, o governo Galileu Machado está político e eleitoralmente mal avaliado pelos eleitores. Mas por que quer abandonar o partido que o elegeu e a liderança de Jaiminho Martins, que tanto o beneficiou em seu mandato? Notícias dos bastidores dão conta de que Kaboja tentou migrar para MDB, para o Solidariedade e até para o PSDB, partido comandado pelo deputado Domingos Sávio, adversário político de Jaiminho Martins. Mas, o que restou para o vereador Kaboja foi ficar no PSD mesmo. Por falta de opção, como a matéria explicou.

Sobrevivência política

Além das traições costumeiras em ano eleitoral, quando vereadores na busca da reeleição mudam de partido como quem muda de camisa, agora há outra estratégia: sobrevivência política. Liguei para a o vereador Kaboja e perguntei a ele por que estava tentando deixar o PSD, que é base política de Jaiminho Martins. Ele me disse que era por sobrevivência político/eleitoral. E ele ainda me explicou o que entende por “sobrevivência eleitoral”: é um candidato cujo o teto de voto esbarra em 1.500, que, por isso, tem que buscar um partido em que, com estes votos, se reelege. Por isso é que tentou se filiar ao Solidariedade, PSDB e MDB. Perguntei ao Kaboja se poderia escrever que sua mudança de partido era devido a esta sobrevivência, e ele disse que sim! Triste nesta narrativa é perceber, também, que partidos hoje no Brasil são apenas veículos (meios) para candidatos participarem da eleição e que a maioria dos candidatos não tem vínculos ideológicos com as agremiações.

O tiro pode sair pela culatra 

A pandemia criada pelo coronavírus pode fazer com que todas estas estratégias oportunistas de alguns vereadores de abandonar os partidos, pelos quais foram eleitos, para embarcar na tática da “sobrevivência política” se torne “um tiro que saiu pela culatra” Explico: como escrevi acima. Vereadores que até então faziam troca-troca com a Administração Galileu Machado para conseguir obras e indicações de amigos para cargos comissionados, em troca de apoio ao alcaide na Câmara, estão deixando a base de apoio. Só que talvez não tenha eleição em 2020, por causa do isolamento social. Como aglomerar eleitores em uma zona eleitoral em tempo de vírus chinês? E se a eleição para prefeito e vereador for adiada para 2022? Se isso acontecer, vereadores traíras serão pegos de calças nas mãos, pois o mandato do prefeito pode ser estendido até 2023. E as eleições podem ser adiadas?

Teremos eleições em 2020?

Os ministros da Saúde e da Justiça têm 30 dias, segundo a Constituição, para dizerem por escrito ao líder do Podemos na Câmara, deputado Léo Moraes (RO), como veem o adiamento das eleições. Ele acha que só deve haver eleição com garantia de que não há riscos de contaminação. Políticos cogitam adiar eleições e prorrogar mandatos de prefeitos e vereadores.

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