Olha o jornal

OLHA O JORNAL!!!

 

Prof. Antônio de Oliveira

 

Dia 30 de setembro, Dia do Jornaleiro. Quem acorda cedo vê aquele trabalhador sobraçando uma pilha de jornais e depositando o respectivo exemplar de porta em porta. Em geral, os jornaleiros são ciosos de suas obrigações como os assinantes são ciosos de receber sua encomenda diária.

 

Também nessa atividade as coisas evoluíram muito. Num único prédio o jornaleiro deposita exemplares de vários assinantes. Hoje já há o jornaleiro de moto, de kombi e até de helicóptero, que pousa num heliporto e aí deposita o material para ser distribuído. Há aquele jornaleiro de pontaria certeira que arremessa, do meio da rua até o meio do jardim das casas, o jornal dobrado. Por detrás do portão, o cachorro, como para o cantor Roberto Carlos, lhe sorri latindo. Não falta quem surrupie jornal do assinante quando depositado em lugar acessível.

 

Em dias de chuva, o jornaleiro usa capa e o jornal vem dentro de um plástico, cuidado esse que se consagrou durante a pandemia. Jornal molhado é impraticável. Solta tinta e exala cheiro típico. Muita gente optou pela assinatura virtual. Parece que carregar um jornal ainda é mais charmoso que carregar um livro. Se faz ponto numa esquina ou no sinal, soltando a voz, anuncia a última. Última, num modo de dizer, pois parece não haver mais última. A última é de preferência uma catástrofe, uma fofoca ou um escândalo, já que é o que mais vende. Como vendedor, tem que agir rápido, pois logo o sinal de trânsito se fecha. Já numa banca de jornais e de outras publicações, como revistas e periódicos, a vida de vendedor parece mais tranquila. 

 

O ritual do jornaleiro é diário como é o de inúmeros trabalhadores. No caso, até no nome, “journal”, em francês.  Veículo de notícias, entrevistas, comentários, pontos de vista, anúncios, informações, cultura e arte. Não faz tanto tempo assim, depositavam-se também pão e garrafas de leite nas portas e janelas das casas. Lembrança com um viés melancólico de saudosismo.

 

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