O que vem depois?

Editorial - O que vem depois? 

Um sonho de muitos anos está se tornando real em Divinópolis. O McDonald’s finalmente chegou. A sua imponente loja está quase finalizada bem ali na esquina da rua Minas Gerais com a avenida 7 de Setembro. E bastou que o seu símbolo poderoso, o “M” amarelo, fosse “fincado” nesta semana para que um alvoroço fosse criado. Ao que tudo indica, a inauguração será na próxima semana, o que levou diversos políticos de Divinópolis a irem para as suas redes sociais comemorarem o fato. Sem sombra de dúvidas, a instalação de uma unidade da empresa na cidade é um passo positivo para a cidade. Alguns postos de emprego serão gerados e isso refletirá no social, para aqueles que hoje procuram uma colocação no mercado de trabalho. Mais pessoas trabalhando significa fonte de renda, comida na mesa, dignidade. E, enfim, depois de muitos anos, a tão sonhada loja do McDonald’s em Divinópolis. 

Mas a grande questão em torno disso tudo é se de fato a instalação da lanchonete que pertence à maior rede de fast-food do mundo fomentará a economia local como estão dizendo por aí. Se analisarmos bem a fundo, Divinópolis tem em sua essência uma economia diversificada e mercantil. Atualmente, não temos grandes indústrias instaladas aqui, que gerem mais de mil empregos. A nossa raiz está nos produtos e serviços, e na compra e venda ‒ em outras palavras, é o povo que carrega a cidade nas costas e faz a economia girar. Se, por um lado, isso é extremamente positivo, pois mostra que o divinopolitano é trabalhador, por outro mostra as inúmeras falhas cometidas pelas últimas gestões e prova que a instalação do McDonald’s não é um motivo para se comemorar. 

O fato de Divinópolis não ter grandes indústrias e de ser predominantemente empreendedora nos traz algo incontestável: viramos uma cidade de mão de obra barata e desqualificada, que paga pouco. Em consequência, o povo tem uma renda menor. E claro que a instalação de uma empresa que gerará cerca de 50, 70 vagas de emprego só reforça essa tese, pois ali será explorada – mais uma vez – mão de obra desqualificada e a média salarial será a já paga na cidade. Em outras palavras, “choveremos no molhado”. Não teremos um grande impacto na economia e tudo está fadado a continuar na mesma, o que, consequentemente, não traz motivos para comemorar, mas, sim, para se preocupar. 

Enquanto políticos comemoram a “torto e a direito” a chegada do McDonald’s na cidade, é inevitável não questionar: mas e depois? Depois que a empresa já estiver instalada há um plano de grande impacto na economia? Existe algo sendo feito para que Divinópolis se torne atrativa para grandes empresas, para indústrias que possam gerar mais de mil empregos? Existem planos de curto, médio e longo prazo, ou continuaremos a comemorar a instalação de empresas que geram 30, 40, 50 vagas de emprego, que reforçam a cultura de mão de obra barata e desqualificada? Talvez a vinda dessa franquia para a cidade seja uma grande oportunidade para que os políticos locais possam refletir sobre o trabalho que está sendo feito. Afinal, a bola da vez é: o que vem depois?

 

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