O primeiro número

O primeiro número 

Max Fonseca

Na década de 60, para ser mais preciso, em agosto de 1967, era lançado o primeiro número do Jornal Agora, que tenho em meus guardados e de onde saiu esta foto.

Este nome, Agora, foi sugerido pelo artista divinopolitano Heraldo Alvim, que, na sua modéstia e finura, é pouco mencionado, mas que muitos que viveram esta época o conhecem e sabem do seu valor para a cultura divinopolitana. 

Todo divinopolitano conhece o noticiário Agora que já tem muito tempo de estrada informando a população.

Este jornal dessa foto não era um jornal do formato tradicional de noticiário como é o Agora que conhecemos.

Era uma publicação mensal, contando com o apoio de alguns patrocinadores e se tratava de um jornal literário exclusivamente.

 Resultava do movimento cultural Agora, que foi um importante movimento que agitou a cultura da cidade.

Continha publicações de textos, poemas, crônicas e notícias ligadas à cultura por autores divinopolitanos, muitos deles conhecidos e que pertencem a este grupo.

O Brasil passava por um momento político complexo com o governo militar fiscalizando e censurando os movimentos culturais de toda ordem: músicas, literatura, teatro e toda manifestação cultural que pudesse ir contra as normas do regime de exceção.

Este jornal tinha como responsáveis conhecidos escritores e intelectuais da cidade e, no meu entendimento, foi um importante marco na cultura da cidade.

Vivíamos numa efervescência cultural sem precedentes com peças de teatro, exposições de esculturas e pinturas, apresentações musicais, ou seja, a moçada se movimentava muito, talvez estimulada e numa reação à repressão do momento em que estávamos.

Hoje, observo com alguma consternação que, mesmo antes da pandemia, que ainda nos assola impiedosamente, já havia um declínio cultural sem precedentes no município.

A cidade sofreu um processo de desmantelamento da cultura por falta de interesse da população, que se refugiou no mundo virtual e esqueceu o mundo real por viver.

 São os sinais dos tempos, que jamais voltarão, mas nos resta conformar com o novo "normal" em que as mentes, por inércia e falta de atividade, criaram o "novo" homem, muito distante dos tempos passados...

Max Fonseca

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