No quartel?

Preto no Branco 

O deputado Coronel Sandro (PSL), quando passou pelo salão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), gritando “vai trabalhar”, com os educadores que protestavam no local, deve ter pensado que estava no quartel há uns 15 anos. Atualmente, não é mais assim. Os comandantes respeitam e muito seus subordinados, mas, certamente, ele agia assim naquela época, o que era muito comum, inclusive. E olha que o nobre parlamentar é vice-presidente da Comissão de Educação na Casa. Imagine se fosse da Segurança!

Respeito

É o mínimo que ele tinha que demonstrar aos servidores, que vêm numa luta antiga e árdua em busca do mínimo de dignidade. Os grevistas gritavam justamente “respeita a Educação”, o que eles não têm há muito tempo, principalmente por parte dos políticos. Sem dúvida, estavam ali por um direito garantido, que é protestar em atos públicos – quando todos os caminhos se esgotam –, não para fazer provocações. Ao contrário dos seus representantes, que fingem que trabalham e brincam com a cara deles e de todo mundo.

Atendidas

E prontamente. Enquanto a Educação é ignorada, duas categorias devem ter seus reajustes atendidos.  A Segurança Pública e o Judiciário. O primeiro já passou pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária e foi aprovado em 1º turno ontem. E o mesmo destino deve ter o segundo. Também, como tratar todos de forma igualitária em um dos países mais desiguais do mundo? E não é pouca coisa, não. Dados disponíveis no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) mostram salários acima de R$ 100 mil. Enquanto isso, nem queira saber quanto recebe um professor que deu aula para um destes magistrados. Entre R$ 2 e R$ 4 mil e pouco. É para rir ou chorar?

Exorbitante

E os R$ R$ 100,7 mil recebidos por um juiz, contando os benefícios e adicionais, é claro, é “fichinha”, quando comparados com o vencimento de outro magistrado. Lotado na sede do TJMG, ele recebeu R$ 370 mil mensais, acredite se quiser. Um desembargador, lotado também na sede do órgão, teve vencimentos de R$ 194 mil. As aberrações são bem maiores, causam revolta e sensação de total desrespeito com quem paga. Para quem topar ver e não sentir enjoado, basta acessar o site.

Igualzinho

O Ministério Público (MP), que também tem projeto tramitando na ALMG relacionado ao salário dos funcionários, teve o orçamento ampliado em 7% de 2018 para 2019, passando o desfalque nos cofres públicos de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,1 bilhões. Com a Previdência dos servidores, são gastos 24% desse montante. Em folha de pagamento dos servidores do MPMG de outubro do ano passado, é possível encontrar cinco servidores do órgão ganhando acima de R$ 44 mil, contando os valores brutos. São oficiais, agentes e analistas. Salários inclusive, acima dos valores recebidos pelos procuradores, que chegam a R$ 39,3 mil. E, engraçado, isso não impacta no orçamento do Estado, mas a mixaria pedida pelos professores sim? Meio difícil de engolir.

Inchou

Os gastos com estes reajustes representam, sim, um aumento significativo no orçamento do Estado. O Portal da Transparência do Governo de Minas mostra que a receita do Estado subiu apenas 8% de 2018 para 2019. Apesar disso, no mesmo período, o gasto com TJMG, recursos pago pelo povo, mal assistido por sinal, cresceu 14%: passou de R$ 4,8 bilhões para R$ 5,5 bilhões. Com projeto em tramitação na ALMG que aumenta o gasto com pessoal que atua no órgão, apenas na criação de mais cargos serão gastos quase R$ 14 milhões por ano. Há previsão de abertura de novas vagas com salários que chegam a até R$ 13 mil. Os servidores da Educação têm ou não direito de pedir um tratamento igualitário por parte do governo? A avaliação fica a critério de cada leitor desta coluna.

 

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