Na contramão

 

Todo empresário sabe que, em momento de crise, o melhor a se fazer é mais com menos. O que não entendo é por que uma lógica tão simples não é adotada no Poder Público. Até agora não consigo entender como a Prefeitura, passando dificuldades financeiras, pretende ampliar o seu quadro de funcionários através de um concurso. Na iniciativa privada, de forma alguma, uma loja em má situação financeira iria contratar mais funcionários. Aliás, até na economia doméstica também é assim: a situação apertou, cortam-se gastos.

A Prefeitura de Divinópolis segue na contramão do óbvio e pretende ampliar o número de servidores. Uma das desculpas é de que vários se aposentaram e, com isso, a saúde da Diviprev, que é a previdência do servidor, ficou comprometida. Acredito que existam outras formas de se fazer esta compensação que não seja sangrando ainda mais o cofre público, que já está no CTI há um bom tempo.

Divinópolis deveria estar investindo é na informação, criando sistemas eficientes para atender o cidadão com qualidade, mas sem precisar ampliar a oferta de mão de obra. Acredito que hoje existam muitos servidores ociosos que poderiam ser utilizados em outros serviços, desde que dentro da sua função prevista no concurso público no qual foi aprovado. Muita coisa hoje em dia pode ser resolvida pela internet, dispensando o servidor físico. O investimento em softwares para tal finalidade não seria tão alto e pouparia a Prefeitura de inchar ainda mais a folha de pagamento que mal está sendo paga. Outro claro indicativo de que o momento não permitiria um concurso público é o escalonamento de pagamento. Se a Prefeitura não consegue pagar nem quem já está lá, como que pretende aumentar o seu quadro de funcionários? É uma conta simples e que não fecha.

A informatização, além de gerar economia, também iria aumentar a eficiência do serviço significativamente. Reivindicações antigas como a possibilidade de se emitir o alvará on-line para abertura de empresas se tornariam viáveis. Ofícios que hoje são protocolados na Prefeitura criam uma situação inusitada que beira o tragicômico. O cidadão não sabe quando ele vai ser respondido nem se o prazo para que isso ocorra será respeitado. Depois de protocolar sua demanda, tem de ir todos os dias à Prefeitura para saber se a resposta ficou pronta. Não há um sistema automático que avise da conclusão do processo. Não tem sequer boa vontade de disponibilizar um servidor que cuide de comunicar aos cidadãos que suas demandas tiveram andamento. Essa lentidão e essa burocracia provocam perda de prazos, desânimo e, claro, aumentam as críticas sobre o alto custo de um serviço que não atende da maneira que devia quem paga por ele.

Cidades menores como Carmo do Cajuru e Nova Serrana estão muito à frente no que diz respeito à automação de procedimentos. Na vizinha Cajuru, já emitem até licenciamento ambiental, o que agiliza em muito a abertura de novos empreendimentos na cidade. Em Nova Serrana, a Sala Mineira do Empreendedor possibilita abrir empresas em 48 horas enquanto em Divinópolis não se faz o mesmo em menos de seis meses. A cidade, dessa forma, perde dinheiro e investimento.

Há boas iniciativas como o Fórum da Desburocratização, mas, como já era esperado, tudo ainda ocorre em passos lentos. A sacudida que os engenheiros deram na Prefeitura ajudou, mas também não foi suficiente para acabar com esta dramática situação. As demandas foram apresentadas, mas não se viu movimentação para resolvê-las.

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