Mesma coisa

Preto no Branco 

A semana começou como terminou a última. Filas intermináveis nas agências bancárias credenciadas para pagar o auxílio emergencial do governo federal e o Brasil sendo ridicularizado mundo afora. É incrível como quem deveria dar o exemplo consegue ser pior do que boa parte da população: insensível, egoísta e irresponsável. Não é à toa que escolhe seus representantes “que nem, que nem”! 

Só pode 

O que dizer de um país, um estado ou uma cidade em que a polícia precisa agir para o povo respeitar as regras? Uma baderna total, em que suas consequências acabam sobrando para quem não tem nada a ver com isso. Se não há respeito nem com os órgãos que regem a Justiça, como exigir da população que faça o mesmo em situações até bem mais simplórias? Depois ainda chamam de democracia o regime adotado neste país. Pode-se chamar de tudo, menos disso. Olhando por este lado, fica claro porque uns tresloucados (só pode) defendem a volta do regime militar. Retrocesso ridículo e inadmissível. 

Fechar totalmente

É por estas e outras, em um momento de pandemia muito preocupante, que o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, disse o seguinte: “O que me preocupa é acharmos que o pico já passou e que agora está tranquilo. Não está, temos que manter um cuidado importante”. Ele admite que fechar totalmente o estado é uma alternativa possível. “Um isolamento excessivo traz prejuízo econômico, mas se liberamos uma movimentação excessiva e chegarmos a ter a necessidade de um lockdown também é ruim para a sociedade.” E as ruas seguem cheias, como se tudo estivesse normal. Parece que gosta de pagar para ver!

Adora uma fila 

Divinópolis não foge nem um pouquinho a esta realidade.  Mesmo antes de haver a flexibilização do comércio, o povo já estava na rua parecendo aquelas formigas-correição, uma atrás da outra, mudando de lugar. Quando não é assim nos passeios e ruas, é nas portas de algum estabelecimento na fila para entrar. Reclama-se muito de esperar, mas parece que o brasileiro tem prazer em ficar esperando na fila. Agora, então, semana que antecede o Dia das Mães, nem se fala. O que tem de gente matando a saudade de carregar sacolas “não está no gibi”. Perigo iminente que pode ter graves efeitos. 

Pode reconsiderar 

Esse alvoroço nas ruas nos últimos dias pode minar a decisão da Prefeitura de ter flexibilizado a abertura do comércio. Existe a possibilidade, segundo fontes da coluna, de esta decisão durar somente duas semanas. Vai depender do entendimento dos integrantes  do Comitê de Enfretamento ao Coronavírus, em reunião agendada para a próxima segunda-feira, 11. Ou seja, se o comportamento desta semana for o mesmo e os números forem preocupantes, tudo pode voltar como antes. A flexibilização será revogada e os estabelecimentos comerciais vão baixar as portas. Onde está a parte complicada que a população ainda não entendeu que para tudo começar a se normalizar depende do esforço cada um? Enquanto alguns continuarem agindo como gado quando se abre a porteira, todos vão arcar com os agravos.

Para ontem  

Essa mudança de comportamento não é para agora, é para ontem. Não é possível que mesmo diante de uma situação tão adversa não se aprenda a lição. Se do jeito que está, desagrada, o caminho é voltar para o isolamento horizontal. As autoridades de saúde são responsáveis pela vida de cada um neste momento e, caso aja de forma diferente, pode ser responsabilizada. Por isso, certamente vai tomar medidas mais rígidas, sim. Se as ações educativas e preventivas não estão resolvendo, o jeito é partir para as repressivas. Agora, se mesmo assim continuar do jeito que está, que cada um arque com sua responsabilidade, mas não venha depois culpar o poder público. É muito fácil não fazer a parte que lhe diz respeito e apontar o dedo em busca de culpados. É momento de fazer não só para si, mas principalmente para o outro. Isso basta!

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