Me engana...

Preto no Branco 

...que eu gosto. Esta frase resume muito bem, minha “humilde” opinião, sobre a proposta de redução de salários dos vereadores da Câmara de Divinópolis. De autoria da Mesa Diretora e iniciativa de seu presidente, Rodrigo Kaboja (PSD), caso aprovada, passa a valer no ano quem vem. Mas é claro, né! Nenhum deles tem bola de cristal para saber se será reeleito – a se tratar da atuação desta Legislatura – muito poucos, isso é fato. Ou seja, quem entrar e os que conseguirem o “milagre” da reeleição é que terão dupla jornada. O rendimento do emprego fora, mais um salário mínimo do Legislativo. O que  seria o correto nos cargos de vereador e deputado, afinal, política não é profissão. Só na cabeça de quem mama nas tetas do povo por décadas.

Tenta acertar...

...o alvo. Oportunismo político que mira as pessoas certas. Muita gente que passa por momentos terríveis, tanto economicamente quanto financeiramente. E, geralmente, são nestes momentos de fragilidade que os políticos entram em ação e tentam acertar seus alvos. Populismo barato em ano eleitoral que ludibria os menos entendidos em um período de sofrimento da população que não sabe por onde correr e em quem acreditar.

Miramos em uns...

...acertamos em outros.  E o alvo, claro, não é somente o povo. Certamente, os possíveis candidatos a uma cadeira no Legislativo nas Eleições 2020 e não são poucos que, não tenha dúvida, vão desanimar depois desta proposta, caso entre em vigor. Moral da história: com a desistência em massa, aumenta e muito a chance de reeleição. Reeleitos, adivinha? Anulam a decisão e, com um monte de alegações, voltam os salários para o mesmo patamar o algo semelhante, nem que para isso demorem três, quatro anos. Simples assim.

Antes não...

...agora sim. A proposta de acabar com os salários de vereadores ou diminuir é apenas mais uma de outras negadas em sugestões anteriores. Em 2018, por exemplo, Print Jr. (PSDB) apresentou um projeto para a extinção dos vencimentos dos parlamentares, com o objetivo de que a Câmara fosse ocupada apenas por cidadãos interessados em ajudar a cidade e trabalhar em prol da população. Antes, em 2017, Sargento Elton, foi o pioneiro. A proposição foi a Plenário, mas adivinha? Ano passado, foi a vez de Matheus Costa (Cidadania), sugerir a redução pela metade. Faltou ser linchado. Por que será que agora, algo nos mesmos moldes, aparece e é tão bem-vindo? Porque nenhuma das anteriores era em ano eleitoral e tinha um Legislativo tão “queimado”. 

Quem aparece...

...é descoberto. Na política, não é diferente.  Querer ter visibilidade em cima de uma proposta manjada e em cima da hora pode resultar em uma grande decepção. Nestas situações, “o tiro pode sair pela culatra”. Apesar de boa parte da população ainda ser leiga em relação a manobras políticas, tem muita gente já acordando para vida e começando a enxergar certas atitudes. Então, certamente, saberão que os autores desta iniciativa estão fazendo isso para aparecer. Se quisessem realmente a alteração, teriam proposto no início de 2017. Aí, sim, teriam credibilidade e o respeito da população, não na véspera das eleições. Afinal, não é de hoje que a cidade está “bichada” em todos os sentidos. 

Não pode reduzir...

...doe parte. A proposta é interessante e benéfica ao povo? Não resta dúvida. No entanto, não agora. No início deste mandato ou, no máximo, um ano depois. Não no último ano e ainda eleitoral. Quer reduzir? Ótimo. Ah, não pode para este ano, a lei não permite. Ok. Ainda faltam oito meses de recebimentos. Que tal receber um salário mínimo, a partir de maio? Doem o restante para a Secretaria de Saúde em Divinópolis para ajudar no combate à pandemia do coronavírus. Passado o momento crítico, se Deus quiser, vai passar, ajude a economia local, que estará em ruínas. E não se esqueçam de registrar em cartório. Vamos fazer as coisas como manda o figurino. Fica proposta! Será que alguém topa? 



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