Irresponsabilidade que pode custar a vida

Afrouxamento do isolamento social já é sentido na cidade

Paulo Vitor Souza

Há quase um mês o assunto ‘coronavírus’ tomou conta do debate público e não dá sinais que vá desaparecer tão cedo. Apesar das dicas de prevenção estarem por toda parte, há aqueles que ainda preferem se arriscar. Na manhã de ontem, uma extensa fila tomou conta de um quarteirão da Av. Primeiro de Junho. Pessoas se aglomeravam, desrespeitando assim as recomendações de distanciamento como forma de prevenção ao covid-19.

Por se tratar de início de mês, é comum que as agências bancárias e lotéricas sejam mais acionadas neste período para efetuação de pagamentos e recebimentos. Entretanto, é necessário considerar as recomendações de saúde.

Na fila de ontem, a maioria das pessoas estavam sem máscaras e sem obedecer o distanciamento mínimo de pessoa para pessoa.

Ações de segurança

Alguns comércios da cidade já implementaram sistema de não aglomeração nos estabelecimento, como entrada controlada de clientes e higienização das mãos. Os bancos e lotéricas, serviços tidos como essenciais no decreto de calamidade pública estadual, também adotaram medidas de segurança, diminuindo e controlando o fluxo de  clientes no interior das agências. A agência onde as pessoas esperavam o atendimento na manhã de ontem, inclusive já possui sistema de atendimento que impede aglomeração.

Para o enfrentamento do coronavírus, especialistas reafirmam a necessidade de medidas básicas como a lavar constantemente as mãos e evitar espaços de grande circulação.

Com o visível afrouxamento do isolamento social por parte da população, o secretário municipal de saúde, Amarildo Souza, reafirmou o perigo da flexibilização das medidas. Quem também relembrou a necessidade de observância das medidas de segurança foi o prefeito Galileu Machado  em pronunciamento na noite da última sexta-feira.

Medidas de isolamento

Os brasileiros entendem que o isolamento social é necessário e efetivo para frear a propagação do coronavírus. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Datafolha que mostra o entendimento das pessoas acerca das medidas de segurança adotadas pelo Ministério da Saúde (MS). A maioria dos entrevistados entende que permanecer em casa impede que o vírus se espalhe, mesmo considerando os impactos econômicos que as medidas possam significar.

De todos os entrevistados, 76% acreditam que o isolamento é importante no combate à doença. 18% acreditam que é necessário revogar o isolamento, por acreditar que ele não seja o mais importante no momento. 6% não souberam responder.

Outro questionamento feito aos entrevistados foi a opinião sobre os serviços não essenciais e 65% dos entrevistados entendem que eles precisam permanecer suspensos. 33% acham que o comércio não essencial precisa reabrir e 2% não souberam responder.

Escolas e volta às aulas

A pesquisa do Datafolha também perguntou sobre a paralisação de aulas. Para 87% dos entrevistados, as aulas devem permanecer suspensas, enquanto 11%têm a opinião de que elas precisam voltar à normalidade. 2% não souberam responder.

A opinião dos entrevistados sobre a proibição de sair de casa para quem não trabalhe em serviços essenciais também é reveladora. 71% dos entrevistados são a favor de que as pessoas que trabalhem em serviços não essenciais permaneçam em casa. 26 % são contrários, 1% é indiferente e 2% não souberam responder.

Recado 

O resultado da pesquisa é um recado ao presidente Bolsonaro que vem atacando as medidas de isolamento propostas pelo Ministério da Saúde. Jair Bolsonaro tem destoado o discurso de vários líderes mundiais que vêm defendendo o isolamento social para a erradicação do covid-19.

O conflito de Bolsonaro com as medidas do Ministério da Saúde desgastou sua relação com o ministro Luiz Henrique Mandetta, que nos últimos dias reforçou a necessidade da manutenção do isolamento social. 

A pesquisa do Datafolha foi realizada de 1º a 3 de abril, feita via telefone por causa do coronavírus entrevistou 151 pessoas.

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