Infectados

 

Israel Leocádio 

Olá! Como vai? Infectado! Palavra que temos ouvido diariamente, e vem se tornando parte do nosso vocabulário. Palavra de forte significado! De origem no latim (infectus), carrega o sentido de contaminado, fétido, pútrido. Hoje, carrega o sentido mais comum e popular: ‘contaminado’. Acredito que seja uma das palavras que as pessoas esperam não ouvir, no que diz respeito ao vírus covid 19. Ser classificado como infectado coloca o indivíduo em situação de quarentena. O que nos leva a outra palavra que ninguém deseja ouvir: ‘isolamento’. Agora, de origem etimológica do francês (isoler), estar em isolamento significa: estar separado, privado do contato social, impedido de qualquer relacionamento. Isso é terrível! Há motivos plausíveis para que as pessoas não desejem ouvir de um médico tais palavras.

Nestes dias, ouvia o noticiário (algo que tenho buscado evitar), e uma entrevista me interessou. Era o testemunho de algumas pessoas infectadas com o coronavírus, no Brasil, que estavam em isolamento. Uma frase, dita por todos os entrevistados (via internet), foi: “Uma das piores coisas que considero neste instante é o isolamento. Estar só é muito ruim!” Logo pensei: Estão certos! Todos tememos o isolamento e o afastamento daqueles que amamos. Na reportagem que vi, a mãe via o filho ao longe, pela janela de seu apartamento. Cena comovente!

Se existe algo que a pandemia tem ensinado ao mundo é que com certas coisas não se brinca. O vírus Covid-19 é cruel e pode ser letal. Ainda que não conduza à morte, permanece classificado como ‘muito cruel’. Ele é transmitido de forma rápida, e, por que não dizer, simples. Seus sintomas podem demorar a aparecer, e se parecem com uma simples gripe (no início). Depois de um certo estágio, coloca a sua vítima em isolamento total. O estrago não fica por aí! Antes do isolamento, pode contaminar centenas de pessoas. O coronavírus derrubou bolsas de valores no mundo, quebrou empresas e provavelmente quebrará muitas outras, tirou todos os outros problemas sociais da mídia, fez com que presidentes e líderes guardassem seu orgulho e usassem máscaras, atingiu ricos e pobres, entrou em mansões e barracos na favela, tornou-se o mais famoso personagem do início do ano de 2020. Pior ainda: não existem remédios eficazes contra ele, e os antídotos podem demorar o suficiente para espalhar ainda mais o pânico. Me solidarizo com todos os que têm sofrido e seus familiares. A dor não é apenas dos doentes. A dor é de todos! Contudo, temo que, tão logo se descubra um tratamento ou cura, o coronavírus será apenas uma lembrança na retrospectiva de final de ano.

Mas, seria o coronavírus mais letal de todas as contaminações na humanidade? Deve ser o mais temido? Ou a humanidade deve temer uma outra contaminação, ainda mais terrível? Alguma outra contaminação poderia ser mais cruel? Poderia afastar de forma definitiva as pessoas daquelas que amam? Poderia levar ao isolamento? Eu diria que sim!

Estou certo de que fomos contaminados por algo ainda pior e mais letal. Algo que deveríamos temer e não tememos, porque não nos coloca em isolamento social, não nos impede de vivermos em sociedade. Fomos infectados com o pecado. Todos estamos em condição de infectus: contaminados, fétidos e pútridos diante de Deus. O mundo está infectado. Os sinais são de completa condição de morte. O amor, a paz, a misericórdia, a piedade, entre outros, morreram dentro da humanidade. Todos estão ‘isolados’ da presença daquele que mudaria as coisas, como dizem as Escrituras: “todos pecaram e afastados estão de sua presença” (Romanos 3.23 – versão NVI). Todos estão afastados, impedidos de comunhão com Deus. Mas, parece que ninguém se importa. Contanto que tenham vida social, ninguém se preocupa com a morte eterna! Sim! Morte – é o que disse! Porque assim afirmam as Escrituras Sagradas: “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23). Ainda: não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mateus 10.28). Contudo, o que temos testemunhado é uma ilustração a ser considerada. Estamos aprendendo o que significa estar impedido de comunhão com aqueles que amamos. A forma de Deus em mostrar a realidade cruel ao mundo é forte. Que a lição seja eficiente em seu objetivo. E, que busquemos o Antídoto – Jesus!

Israel Leocádio

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