Exposição traz personagens do Congado

Da Redação

O artista Osório Garcia recebe hoje convidados para abertura, a partir das 19h, na Galeria Giva Sartori, de sua exposição intitulada “Tambores do Céu”. A mostra, que pode ser conferida na rua Maranhão, 990, no Sidil,  apresenta 30 esculturas que personificam os personagens de um cortejo de terno do reinado.

Osório Garcia

O artista plástico autodidata, escritor e ilustrador de literatura infantojuvenil tem 15 livros autorais editados e, como ilustrador, possui mais de 200 obras com seu traço. Sua inspiração artística e seus conhecimentos de mundo vêm do fato de seu pai, Osório Geraldo Garcia, ter trabalhado em obras da Construtora Andrade Gutierrez como chefe administrativo por 40 anos, o que o possibilitou conhecer todos os sotaques, cheiros e sabores do Brasil, parte da Europa e a República Popular do Congo, na África Central.

Resgate de memórias

Foi mais tarde assessor na Secretaria de Cultura da cidade de Lagoa Santa, onde desenvolveu um trabalho de resgate de memórias e identidades do povo quilombola, remanescentes da fazenda de Fernão Dias Paes, no distrito da Lapinha, reestruturando e apoiando as Guardas de Congado locais, que estavam se extinguindo. Ele se encantou de tal forma com a tradição da “Irmandade dos Homens Pretos” que, no decorrer deste período, criou esculturas que compunham um terno completo com 30 personagens, usando latas cortadas, soldadas e encaixadas de forma bastante rudimentar, prestigiando tão somente a expressividade. Surgiu aí o terno que ilustra o livro “Tambores do Céu: o Congado no Oeste de Minas”, do fotógrafo Cyro Soares com textos de João Novais.

Atualmente, Osório mora em Divinópolis, onde trabalha no ateliê de desenho, e mantêm sua oficina de esculturas na cidade de Formiga.

Exposição 

Trazido da África, o negro não deixou que ficassem para trás toda a sua história e a capacidade de simbolizar a realidade. Coexistindo os ritos africanos com a religiosidade europeia, a festa do Congado garante uma forma diferente de expressar a antiga e permanente necessidade de exaltar e reverenciar a Deus. Mesmo que suas raízes alcancem a África e a Europa, a identidade da festa do Congado é, sobretudo, brasileira. Uma comemoração não só de negros e brancos, mas de todos. Na festa, entre reis, rainhas, princesas, mordomos, ternos, festeiros, em todo o séquito, motivada pela fé e gratidão pela liberdade da escravatura, reina a presença pacificada da gente de toda cor.

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