Errata

Bob Clementino 

Na coluna do último dia 14, no texto “Em tempo”, escrevi que “será eleito prefeito aquele candidato que convencer os vereadores a reduzirem à metade as despesas da Câmara, que hoje são de R$ 80 milhões anuais”. Na verdade, a Casa nos custa R$ 80 milhões em quatro anos de mandato.

Corporativismo

Os vereadores desta atual legislatura têm, por característica, ignorado as denúncias de seus pares. Foi assim em relação a todas as acusações de troca-troca entre edis e prefeito. Agora, o vereador Matheus Costa (CDN) fez, na reunião ordinária do dia 13, na minha opinião, uma denúncia gravíssima que, se confirmada, mostra a interferência do prefeito nos assuntos internos da Câmara, quebrando, assim, a independência entre os poderes. Segundo Matheus, quando foi pedir apoio aos demais edis para aprovação de um projeto de lei de sua autoria, um vereador lhe disse taxativamente: “Projeto seu? Galileu não quer que aprove nenhum!”.

Manda quem pode

Tenho alertado frequentemente neste espaço democrático que nos discursos de alguns vereadores há fortes indícios de que há uma troca de interesse entre o prefeito e alguns edis. Chamo esta prática de “troca-troca”.  O prefeito dá cargos comissionados aos vereadores e estes lhes dizem amém. Pois bem, agora o destemido vereador Matheus Costa joga no colo de seus pares essa batata quente: “prefeito ordenou aos vereadores da sua base que não apoiem projetos elaborados por mim, que sou seu desafeto político”. Mas...

Dos males o menor

Apesar de o prefeito Galileu Machado (MDB) (segundo denúncia) ter ordenado aos vereadores que estão em sua gaiola para não aprovarem projetos de Matheus, na reunião ordinária de quinta-feira foi aprovado, por 14 votos favoráveis, o Projeto de Lei CM 31/2019, exatamente de autoria do referido vereador, estabelecendo que a Prefeitura grave em áudio e vídeo todos os processos licitatórios.

Sinuca de bico

E agora, prefeito Galileu Machado? O vereador fez a denúncia. Diante disso, faço-lhe, em nome da transparência e a lisura que são direitos resguardados pela Constituição Federal, duas perguntas:

1ª - Esta denúncia é verdadeira?

2ª - O Projeto de Lei CM 031/2019, motivo desse alarido, irá à sua mesa. Será sancionado?

Pergunta que não quer calar:

Parabéns aos 14 vereadores (entre estes os que compõem a base do prefeito) que tiveram independência às supostas ordens do alcaide e aprovaram Projeto de Lei CM 031/2019. Mas e a denúncia do vereador de que o prefeito proíbe sua base de aprovar projetos de Matheus será investigada? A ver.

Pegos com as calças nas mãos

Dias atrás, o Agora deu com exclusividade a notícia de que a Câmara, que já é rotulada de “Ilha Paradisíaca” em face das mordomias garantidas aos edis, elevou essas regalias, ao prever gastar quase R$ 100 mil neste ano com água gasosa, biscoito de queijo, salada de fruta, diferentes tipos de bolos, sanduíche natural, pão de queijo e até x-egg, além de refrigerantes e sucos naturais apenas para os parlamentares. Foi um “Deus nos acuda” por parte dos edis, flagrados pelos eleitores desobedecendo aos discursos parlamentares na Tribuna de economia e austeridade.

Emenda pior que o soneto

Para piorar a imagem dos vereadores, a explicação do presidente da Casa, Rodrigo Kaboja (PSD), cuja intenção era de “limpar a barra” dos vereadores diante da opinião pública, agravou a situação, ao explicar que recebeu reclamações do serviço anterior: “Tenho documento, assinado por alguns vereadores, para trocar o lanche, porque o lanche era um lixo. Está assinado, na licitação”, afirmou. Para o eleitor, ficou claro que “suas Excelências” é que exigiram melhorias na qualidade do lanche depois da reunião ordinária, que é servido no Plenarinho. Achou pouco? Este lanche de R$ 100 mil (ao ano) é apenas para os privilegiados edis. Para os servidores, será oferecido pão de sal e café com leite. Em um ano eleitoral, essa notícia do aumento dos gastos com as mordomias dos vereadores pode inviabilizar reeleições.

Que falta faz uma boa assessoria parlamentar!

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