Em todas as frentes

Preto no Branco - Em todas as frentes

É grave a denúncia apresentada pelo Agora nesta semana sobre as precárias condições de trabalho dos servidores do Serviço Municipal do Luto. A Prefeitura de Divinópolis nega as acusações. Segundo a reportagem, com base no relato de fonte não identificada para evitar represálias, o setor sofre com má gestão e sobrecarga de trabalho. Quando pensamos na luta contra a pandemia, pensamos nos cientistas em laboratório em busca da produção de vacinas eficazes contra a covid-19 e dos profissionais de saúde na linha de frente, como médicos e enfermeiros. Nos esquecemos, no entanto, de diversas outras categorias que não têm o privilégio do home office e ficaram, especialmente nos períodos mais graves, expostos à contaminação. Os servidores do Luto fazem parte desta lista, lidando diretamente com a manipulação e transporte de cadáveres que morreram em decorrência da doença. 

Em risco

Além da sobrecarga física, tendo em vista a alta demanda de trabalho, com cada vez mais mortes no pico da doença, há a sobrecarga emocional. A denúncia foi feita justamente neste setembro, período que reforça a conscientização e prevenção de atos contra a vida. Assim, também é preciso olhar para o lado emocional e o reflexo das consequências da pandemia nessa categoria. São servidores que passam o dia lidando com a morte e famílias enlutadas; precisam fazer um árduo trabalho e seguir um rigoroso protocolo dos decretos em vigor para impedir o risco de contaminação do vírus. Não é tarefa fácil, ainda mais se confirmadas as atuais condições. 

Averiguar

Outra grave denúncia feita no texto é a “carteirada” de integrantes do Executivo e Legislativo. Dentre as cobranças está, por exemplo, para que os servidores desrespeitem o tempo de velório de vítimas da covid-19, indo contra o decreto em vigência e a agenda a ser cumprida. “Pelo fato de o gerente não ser técnico, acaba cedendo à politicagem”, detalhou a matéria. Agora, os vereadores devem buscar esclarecimentos sobre o caso junto ao secretário da pasta. Ademir Silva (MDB) entregou ontem ao presidente da Câmara, Eduardo Print Jr. (PSBD), pedido para convocar o secretário responsável pela questão para esclarecimentos. O presidente se comprometeu a encaminhar o requerimento à comissão responsável. 

Tem vacina...

O Ministério da Saúde (MS) acordou os gestores municipais com uma bomba na manhã de ontem: a orientação para não vacinar adolescentes entre 12 e 17 anos — com exceção dos jovens com comorbidades. A Prefeitura de Divinópolis se manifestou no início da tarde e confirmou a paralisação do processo. Agora, a faixa etária que tanto aguardou sua vez no fim da fila se vê sem perspectiva. O Ministério argumenta que os mais novos não apresentam sintomas graves da doença e, por isso, não é necessário imunizá-los. Ainda não há previsão da decisão ser revertida. Antes, faltavam vacinas enquanto sobravam faixas etárias. Agora, o cenário se inverteu. Vacina tem… Falta o aval.

Uma pena

A decisão é uma pena, tendo em vista o efeito da vacinação na redução de casos graves, intubação e mortes pela covid. Que as doses destinadas aos adolescentes sejam, então, prontamente aproveitadas em segundas doses e reforço para idosos. É fundamental, portanto, garantir a redistribuição dos imunizantes, para que não fiquem parados ou mesmo corram o risco de serem perdidos. A vacinação precisa continuar avançando, em especial para concluir o esquema daqueles que tomaram apenas uma dose. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), 10% do público que pode se imunizar não recebeu nenhuma dose. 

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