Educação cobra mais voz nas decisões

Maria Tereza Oliveira

A educação mais uma vez foi protagonista na reunião da Câmara de ontem. Há quase um mês de greve e com salários atrasados, a categoria foi representada por Andreia Carla Ferreira Dias, membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal de Divinópolis (Sintemmd), que fez uso da tribuna livre.

Andreia revelou que o Sindicato já havia se reunido com os vereadores antes para cobrar posicionamento deles. A educadora aproveitou para pedir apoio aos edis para solucionar a situação dos servidores.

Além disso, ela lembrou que os vereadores se comprometeram a consultar a categoria antes de votar pautas relacionadas à área da Educação, assim como aos servidores públicos, Andreia também pediu que o valor que sobrasse da verba da Câmara fosse destinada para ajudar a educação, principalmente no que se refere aos salários dos servidores.

Verba

Andreia explicou que normalmente a verba destinada aos gastos da Casa muitas vezes não é gasta por inteiro e, o que sobra é declarado pelos vereadores.

— Pedimos que eles ao devolverem este valor à Prefeitura indiquem que seja investido no pagamento aos professores e queremos que isso seja declarado publicamente — solicitou.

Em sua fala, a vereadora Janete Aparecida (PSD), fez eco aos pedidos de Andreia e revelou que o presidente da Câmara, Adair Otaviano (MDB), já havia manifestado a intenção de que o dinheiro devolvido seja utilizado com a Educação.

Adair concordou com a necessidade, porém destacou que cabe ao Poder Executivo decidir como irá gastar os recursos que sobrarem. Além disso, foi lembrado que em outros anos houve a recomendação, porém ela foi desconsiderada pelo prefeito.

Voz

A educadora pediu que os servidores da educação sejam mais ouvidos nas decisões sobre a área.

— Qualquer definição, sobre nossa profssão, que vier para a Câmara, é fundamental que se ouça o sistema, ou seja, o Conselho Municipal de Educação, Conselho da Merenda e Fundeb — destaca.

Para Janete é preciso dar mais atenção ao controle social.

— Temos de aprender a andar com as coisas certas. É inadmissível a gente ver fechamentos de Centros Municipais de Educação Infantil (Cmei’s) sem consultar o Conselho de Educação. Nossos conselhos foram efetivados por leis municipais e não estão sendo respeitados, quando deveriam ser ouvidos — destacou a vereador.

Assembleia

Tentando uma solução, na segunda representantes da categoria participaram de uma audiência de conciliação para tentar chegar à um consenso.

Os resultados da reunião ainda não foram divulgados. Conforme explicou Andreia, o Sindicato não pode firmar acordos sem consultar a categoria.

— Nós só os representamos, mas as propostas são apresentadas em assembleia e, caso a categoria aceite os termos, nós só os repassamos para os órgãos competentes — esclarece.

Greve

Cansados de receber salários atrasados e parcelados, os professores iniciaram a greve no dia 9 de novembro, mas antes chegaram a adotar a operação “tartaruga” durante poucos dias. A situação dos atrasos nos pagamentos vem se arrastando por meses.

A greve inicialmente estava marcada para acontecer durante 120 dias. Ela é consequência dos atrasos dos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) do Estado para o Município.

Todavia, pouco tempo depois, o Sintemmd revelou que a greve permaneceria até que os salários sejam quitados, podendo se alongar ou ser mais curta que os 120 dias propostos iniciais.

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