DOM SUPREMO

 

Prof. Antônio de Oliveira

 

“O dom supremo da palavra se metamorfoseou numa infinidade de estrelas ou asteriscos simbólicos e significantes.” Oral ou escrita, a palavra é sombra do pensamento, expressão de faculdade própria do homem. A linguagem, sobretudo a convencional, distingue, fundamentalmente, um bando de animais de um grupo social. Verdade é que os irracionais chegam, também, a emitir sons harmoniosos, como ”as aves que aqui gorjeiam”, mas nunca os coordenam e articulam. Os animais têm, sim, uma linguagem natural, pois que não é privativa do homem. O cão uiva para demonstrar tristeza, porém sem aquele algo mais do ser humano... Vozes cujo timbre também é único, individual, intransferível, como branca, de crianças; soprano, contralto, tenor, barítono.

Dentre outras vozes, as aves cantam, trilam, trinam; o beija-flor trissa, os bovinos berram, mugem; o burro zurra, a cabra bale, a calhandra grinfa, o camelo blatera, o cão late, ladra; o cachorrinho gane, o cavalo relincha, a cegonha glotera, o cisne arensa, o corvo crocita, a coruja grazina, a ema suspira, a galinha cacareja, o galo canta, o gato mia, o grilo cricrila, a hiena gargalha, o leão ruge, o lobo uiva, o macaco grita, o morcego trissa, a mosca zumbe, a ovelha bale, a paca assobia, o papagaio fala repetindo o que ouve; o pato gracita, o pavão pupila, o peixe ronca, o peru gruguleja, o pombo e a rolinha arrulham, o porco grunhe, a raposa regouga, o rato guincha, a rola turturina, o tatu choraminga, o tigre rosna, a vaca muge.

Grande é, na verdade, o valor da palavra, imenso o seu poder. Algo divino e misterioso. Aliás, no dizer de Karl Adam, o próprio homem, “esse desconhecido”, de Alexis Carrel, é uma palavra de Deus que não mais se repete. Cada indivíduo é único. Inconfundível. DNA, impressões digitais, arcada dentária, sinais especiais. Timbre de voz. Foi Ele... Ai! E deu-me esta voz a mim. Fez poeta o rouxinol... Deu voz ao vento, às cachoeiras e às ondas do mar. “Foi Deus.”

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