Divinopolitanos reclamam de obras inacabadas da Copasa

Buracos e atraso na ETE Itapecerica são frequentes em pontos da cidade; empresa é alvo de ação da Prefeitura contra aumento na taxa de esgoto

 

Bruno Bueno

A situação já é conhecida. Buracos, fios, ETE Itapecerica e outras instalações inacabadas da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) são motivos de reclamações frequentes em Divinópolis. Em mais uma delas, o Agora recebeu, na tarde de ontem, fotos de uma obra não finalizada na rua Alameda Rio do Sono, bairro Tietê. 

Além da falta do serviço, a presença de detritos e outras consequências provocam várias dores de cabeça para os moradores de diversas regiões da cidade. Conforme informações de moradores, o buraco causado pela obra provocou um acidente que gerou perda total em um veículo no mês passado.

 

Tolerância zero?

A ocorrência é recorrente na cidade. Moradores dos bairros Quintino, Candelária, Padre Eustáquio e outros já foram alvo do atraso nas obras de saneamento e infraestrutura nos últimos anos.

A eleição do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), que prometeu tolerância zero com a empresa, trouxe esperança da finalização de obras inacabadas. Mesmo com diversas ações do chefe do Executivo, a situação ainda persiste. 

Em entrevista ao Agora em outubro do ano passado ‒ antes das eleições ‒, Gleidson disse que não iria romper o contrato com a empresa, mas prometeu tolerância zero e disse que faria a Copasa cumprir o que foi prometido e não faria mais aditivos. À época, o candidato também afirmou que “a população poderia ficar tranquila”, pois ele trabalharia para que a Copasa leve água de qualidade aos moradores, especialmente às regiões onde a falta é constante. 

No dia 25 de agosto último, o Executivo entrou com uma ação na Justiça contra a Copasa e a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae) pelo aumento da tarifa de água e esgoto, em razão da revisão realizada pela empresa parceira da Copasa. A mudança ocorreu após a implementação de uma conta única de esgoto em que os custos do serviço de tratamento de esgoto são divididos 50%-50% entre as tarifas de água e de esgoto.

Atualmente, Gleidson revela que o Executivo, além da ação, estuda outras possibilidades de resolver a situação que desagrada a população em geral. 

 

Críticas…

A empresa também é alvo de críticas por parte de alguns vereadores do município. Ney Burguer (PSB), em pronunciamento realizado no dia 19 de agosto, disse que foi chamado de chato por membros da Copasa após cobrar a finalização de obras inacabadas no município.

Em outra reunião, ele disse que o aumento na tarifa de água era um absurdo e que a empresa só poderia estar de brincadeira com o povo de Divinópolis.

— Só não consigo entender como uma agência que tem por finalidade regular as prestadoras de serviço de água e esgoto autoriza a Copasa a dar esse aumento. Está havendo uma inversão de valores. A Arsae, em vez de ajudar a população, está dando um presente de grego — disse à época.

No mesmo dia, Flávio Marra (Patriota) também criticou o aumento da tarifa e disse que a Copasa era um “lixo” de empresa.

— Vocês cobram um absurdo de taxa de esgoto, de água, cobra ar no lugar de água, e quando vocês têm que oferecer o mínimo, o básico, que é a água, vocês não oferecem. Vamos sentar com a Copasa, com esse lixo de empresa, porque se a gente não dá conta de varrer ela daqui, fazer eles cumprirem o mínimo, o básico, que é fornecer água para a população de Divinópolis — enfatizou.

 

E mais críticas

Ademir Silva (MDB) é outro parlamentar que cobra atitudes das autoridades municipais em relação à Copasa.

— (...) É hora de tomar atitudes firmes. Pegar a caneta e tomar providência. Não ficar só no vídeo e nas redes sociais. Em Nova Serrana eles já têm tido algumas vitórias contra a Copasa. O contrato não estava sendo cumprido. Já ressarciram a cidade na Justiça em R$ 10 milhões. Aqui nada — disse em oportunidades.

Em reunião realizada no dia 2 de agosto, o parlamentar citou as obras inacabadas do município e questionou as ações do prefeito Gleidson Azevedo para resolver a situação.

— Nosso contrato em Divinópolis também não está sendo cumprido. Muito buraco sem tampar. Esgoto que não é tratado. É falta de água quase todo dia. Fim de semana nem se fala. No Belo Vale, Tietê, São Roque. Ano passado você disse que tinha soluções para sanear nossos problemas com a Copasa, que tinha a chave para resolver. Onde está essa solução? Ou você não tinha? Ou está com medo de passar pra frente e pensar em ser o salvador da pátria nas próximas eleições? O povo de Divinópolis não perdoa quem faz mal à cidade. Vimos isso ano passado — finalizou.

 

Copasa

O Agora aguardou durante todo dia uma resposta da Copasa para saber sobre o cronograma e outros procedimentos para a finalização de obras na cidade. Até o fechamento desta página, por volta das 17h30 de ontem, a reportagem não obteve nenhum retorno sobre o questionamento.

 

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