Definido o destino do ‘Vagão literário’

 

Ricardo Welbert 

O vagão doado pela empresa VLI com o objetivo de se tornar uma biblioteca ao ar livre na praça Candidés, em Divinópolis, não vai mais ser levado para Carmo do Cajuru, como pretendeu a Secretaria de Cultura. Uma parceria firmada ontem entre os projetos sociais “Quero Viver” e “Global Jovem” e o Grupo de Educação Ética e Cidadania (Geec) garante a administração do espaço, que terá o nome de “Vagão Literário” mudado para “Vagão do Futuro”.

De acordo com o coordenador do “Global Jovem”, Flávio Marciel, a parceria ocorre no formato de comodato – empréstimo gratuito de coisa que deve ser restituída no tempo combinado entre as partes. Nenhuma delas determinou um prazo, mas a expectativa é de que a iniciativa dure ao menos dez anos.

Ainda segundo Marciel, o uso do vagão como forma de permitir o acesso à leitura foi uma boa ideia. Porém, a falta de um servidor público destinado a atender ao público no local fez com que muita gente pegasse livros sem deixar outros no lugar. Essa falta de gestão também teria espantado o público, afirma.

— O vagão tem um grande potencial, mas o projeto foi de azeitona. Muito medíocre. Nós não sabíamos quantos livros havia. Como não tinha mobília, ninguém lia lá. Não houve uma divulgação eficiente e a iniciativa se perdeu — opina Marciel.
Em fevereiro deste ano a Cultura municipal emitiu um ofício doando o “Vagão Literário” a Carmo do Cajuru. De acordo com o secretário, Osvaldo André de Mello, não há recursos suficientes para gerir o projeto e o Município foi apenas parceiro.

– O orçamento da Semc não suporta as despesas de transporte, de finalização e de manutenção do referido projeto, para ocupar outro espaço, uma vez que já se concluiu sobre a inviabilidade de a praça Candidés abrigar tal iniciativa. Assim, desejamos que Carmo do Cajuru acolha com carinho o vagão e sua proposta principal, que mobiliza a população, para troca de livros, precioso instrumento formador de leitores – disse Mello.

O presidente do Geec, Jomar Teodoro Gontijo, informou que o vagão está fechado desde fevereiro de 2017 e acrescentou que há um ano o local é usado apenas por moradores de rua que passam as noites debaixo dele.

— Mostramos o interesse, um projeto e uma forma de executar. O grande lema será “Criança, eu me importo. Jovem, eu acredito”. Será um espaço focado na literatura e na cultura, com reforço escolar. Firmaremos convênios com várias entidades para aumentar a quantidade de livros disponíveis e oferecer atendimento psicológico gratuito em tendas montadas ao lado do vagão — acrescenta o coordenador do “Global Jovem”.

A parceria foi aprovada pela diretoria do Geec.

— Temos alguns documentos para reunir que fazem parte da burocracia básica para que a iniciativa prospere. Esperamos colocá-la em prática durante o mês de abril — antecipa.

Origem 

A inauguração do “Vagão Literário” ocorreu em 11 de dezembro de 2016, na gestão de Vladimir Azevedo (PSDB). A ideia não se limitava ao empréstimo de livros. Era também um lugar para a leitura, com bancos e mesas. A meta era ser uma extensão do Centro Cultural do Livro de Divinópolis.

O objetivo era fazer do vagão e da praça Candidés locais para desenvolvimento de outros projetos já realizados em parceria entre a Cultura e o Geec, como contação de histórias, oficinas de grafite e o programa “Livro, Leve e Solto”, de compartilhamento de livros.

 

 

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